‘Operação Influencer’
Só em novembro de 2025 é que os investigadores descobriram a escuta, depois de fazerem uma revisão ao processo.
Em novembro de 2023 António Costa garantiu que “nunca por nunca” tinha falado do centro de dados de Sines com o amigo e consultor do centro Diogo Lacerda Machado. Mas uma escuta telefónica desmente as palavras do ex-primeiro-ministro e agora presidente do Conselho Europeu. No entanto, esta escuta telefónica demorou dois anos a ser descoberta.
Como admitiu o próprio Ministério Público, a escuta tinha passado despercebida em janeiro de 2023 quando os investigadores fizeram uma sumula das conversas intercetadas em dezembro de 2022. Mas só dois anos depois, em 2025, e após uma revisão do processo é que foi possível à investigação encontrar esta escuta.
António Costa: “Já sei que foste dar boas notícias ao Vítor (Escária)”
Diogo Lacerda Machado: “O projeto está com uma dinâmica extraordinária. Os americanos finalmente, ao que parece, vão investir a sério em Sines. De maneira que é uma coisa interessante e eu achei que se justificava saberes disso e saberem disso, está bem?”
Quando foi detetada, o Ministério Público pediu ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano, a sua validação, mas o juiz recusou intervir, uma vez que António Costa já não era primeiro-ministro, mas sim presidente do Conselho Europeu, cargo que mantem até hoje.
Os procuradores alegaram que a conversa entre Lacerda Machado e António Costa aconteceu “apenas dois dias após uma reunião” entre o próprio Lacerda Machado, um dos promotores do centro de dados, Afonso Salema, e Vítor Escária.
A investigação continua ainda a tentar apurar a origem dos 75 mil euros encontrados, em novembro de 2023, no Palácio de São Bento. A recolha de impressões digitais nas notas não deu, porém, qualquer resultado.
Já António Costa recusou comentar as escutas, por dizer desconhecer o teor do processo.