EUA e Irão
Depois de os EUA terem atacado diretamente o Irão este domingo, a tensão entre os dois países atingiu um dos pontos mais altos nas últimas décadas.
O conflito não é recente. É uma guerra entre duas potências que conta com mais de 70 anos de história. Já levou a discordâncias a diferentes níveis entre os dois países, desde desacordos políticos, militares, a económicos. Os Estados Unidos (EUA) e o Irão, dois países que um dia foram aliados, entram agora, num novo momento de alta tensão na história da política mundial.
Antes da Revolução Islâmica, em 1979, a potência norte-americana estabelecia fortes laços com o governo iraniano. Até essa data, os EUA apoiavam o Irão e mantinham uma forte influência americana na região, garantindo, assim o acesso ao petróleo vindo do Médio Oriente.
Foi depois no final dos anos 70 que o povo iraniano conseguiu derrubar o Governo que era apoiado pelo Estados Unidos, subindo para o poder o líder religioso muçulmano, Ruhollah Khomeini.
Foi, precisamente, em novembro de 1979, que um grupo de estudantes islâmicos iranianos invadiram a embaixada dos Estados Unidos em Teerão e, durante 444 dias, mantiveram reféns 52 americanos.
Este foi o ponto chave na história entre os Estados Unidos e Irão, que provocou o fim das relações diplomáticas entre os dois países.
A partir dos anos 80, as tensões entre os dois países foram-se agravando.
Ao longo das décadas, os Estados Unidos têm acusado o Irão de apoiar grupos terroristas, como o Hezbollah, assim como acusam o país de, intencionalmente, ter promovido atentados contra interesses americanos, como foi o caso do ataque terrorista no Líbano, apoiado pelo grupo extremista Hezbollah, em 1983, que vitimou 241 militares norte-americanos.
Os anos 90, foram palco para um período em que os Estados Unidos aumentaram as sanções económicas e comerciais contra o Irão, durante os governos de George Bush e Bill Clinton.
Os Estados Unidos ficaram assim proibidos de comprar petróleo ao Irão.
Durante esse período um dos principais receios do governo americano era que o Irão conseguisse desenvolver armas nucleares.
Já no século XXI, as tensões entre os dois países agravaram-se. Ainda assim, a situação económica no Irão melhorou, quando, em 2015, foi assinado o Acordo Nuclear entre o Irão e outras potências mundiais, incluindo os EUA. O acordo permitiu aliviar as sanções aplicadas ao Irão, incluindo restrições no setor de petróleo. Em troca, o Irão passou a ter limitações no programa nuclear do país.
Com a entrada do novo governo de Donald Trump, em 2018, o Presidente norte-americano retirou-se do acordo internacional, voltando a colocar pressão nas sanções comerciais sobre o Irão.
Já o país do Médio Oriente respondeu, aumentando a produção de Urânio, para ser utilizado em armas nucleares.
Nos últimos anos, intensificaram-se os confrontos diplomáticos entre o Irão e os Estados Unidos.
E, mais recentemente, o conflito entre os dois países tomou novas proporções, quando o governo de Donald Trump decidiu entrar na guerra entre Israel e o Irão e atacar três instalações nucleares iranianas.