EUA rejeitam pedido da China para participar em consultas na OMC sobre tarifas ao Brasil

Lusa | 23 de Setembro de 2026 às 00:02
EUA rejeitam pedido da China para participar em consultas na OMC sobre tarifas ao Brasil
EUA rejeitam pedido da China para participar em consultas na OMC sobre tarifas ao Brasil FOTO: AP
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Segundo as regras da OMC, os países envolvidos nas consultas, a exemplo do Brasil e dos EUA, precisam autorizar a participação de um terceiro membro, no caso, a China.

Os Estados Unidos rejeitaram esta terça-feira o pedido da China para participar nas consultas solicitadas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre tarifas norte-americanas aplicadas a produtos brasileiros.

Segundo as regras da OMC, os países envolvidos nas consultas, a exemplo do Brasil e dos EUA, precisam autorizar a participação de um terceiro membro, no caso, a China.

A posição norte-americana consta de uma comunicação enviada pela delegação dos Estados Unidos à China em 21 de setembro e posteriormente distribuída ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC.

No documento, os Estados Unidos referem ter recebido uma carta da China, datada de 6 de agosto, na qual Pequim solicitava participar nas consultas requeridas pelo Brasil.

Segundo os EUA, o pedido de consultas apresentado pelo Brasil "não diz respeito a quaisquer atos, políticas ou práticas da China" nem a "quaisquer tarifas impostas sobre produtos originários da China".

Por esse motivo, os EUA afirmaram não considerar fundamentada a alegação chinesa de existência de um interesse comercial substancial nas consultas.

"Os Estados Unidos estão, assim, a rejeitar o vosso pedido para participar nestas consultas", lê-se na comunicação enviada à delegação chinesa.

Em agosto, Pequim justificou o pedido porque possui um "interesse comercial substancial" nas consultas entre os dois países.

Brasília acionou a OMC, em julho, contra duas tarifas aplicadas pela administração de Donald Trump, sendo uma de 25% pelo facto de Washington entender que o Brasil adota práticas desleais relativamente às empresas norte-americanas.

Os EUA também aplicaram tarifas de 12,5% ao Brasil, assim como a outras dezenas de países que supostamente falharam na fiscalização de importação de produtos produzidos a partir do trabalho forçado.

A China destacou, ainda no pedido em agosto, que essas medidas afetam as suas exportações para o mercado norte-americano, com exceção de determinados produtos, e alteram as condições de concorrência dos produtos chineses devido às tarifas adicionais impostas.