Ex-ministro da Energia da Ucrânia acusado no pior caso de corrupção desde início da guerra

Lusa | 16 de Fevereiro de 2026 às 14:06
Herman Galushchenko, à esquerda na foto, com o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica
Herman Galushchenko, à esquerda na foto, com o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica FOTO: AP

Herman Galushchenko é acusado de branqueamento de capitais e de integrar uma rede criminosa, após ter sido detido no fim de semana quando tentava abandonar o país.

As autoridades ucranianas acusaram esta segunda-feira o ex-ministro da Energia Herman Galushchenko de branqueamento de capitais e de integrar uma rede criminosa, após ter sido detido no fim de semana quando tentava abandonar o país.

A Agência Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU), responsável pela operação, confirmou a informação e anunciou o alargamento do "círculo de suspeitos" no âmbito de um processo que investiga corrupção no setor energético.

"O ex-ministro da Energia foi exposto por branqueamento de capitais e participação numa organização criminosa", anunciou a NABU num comunicado divulgado nas redes sociais, segundo a agência de notícias espanhola Europa Press (EP).

A acusação formal ocorre um dia depois de o político ter tentado cruzar a fronteira para fugir à "Operação Midas", considerada a maior investigação de corrupção na Ucrânia desde o início da invasão russa, há quatro anos.

O processo centra-se num sistema de subornos de larga escala que envolve contratos da Energoatom, a operadora estatal de centrais nucleares.

Os investigadores revelaram que cerca de 7,4 milhões de dólares (6,2 milhões de euros, ao câmbio atual) foram transferidos para contas bancárias pertencentes à família de Galushchenko, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

Além destes valores, as autoridades calculam que mais de 2,7 milhões de euros tenham sido entregues em numerário diretamente à família do ex-governante, na Suíça.

Galushchenko ocupava a pasta da Energia no início da guerra, em fevereiro de 2022, e transitou para o Ministério da Justiça em julho de 2025.

O ex-ministro demitiu-se em novembro do ano passado, por exigência de Zelensky, devido ao avanço das investigações.

Galushchenko negou na altura qualquer envolvimento no escândalo de corrupção e afirmou que se defenderia perante a justiça.

As autoridades suspeitam de Timur Mindich, coproprietário da produtora Kvartal 95, como o líder da rede.

Mindich, que se encontra em parte incerta fora da Ucrânia, é um antigo sócio do Presidente Volodymyr Zelensky, que fundou a produtora antes de assumir a chefia do Estado.

A Ucrânia tem enfrentado problemas crónicos de corrupção, sendo o combate ao flagelo considerado uma condição essencial para a adesão à União Europeia.

A NABU disse que estava a colaborar com 15 países no âmbito da vasta investigação internacional que envolve o ex-ministro da Energia.