Vários lesados confirmaram ao Now que, para além do ex-presidente do BES, há contactos com outros seis arguidos, entre eles Amílcar Morais Pires, ex-braço-direito de Ricardo Salgado.
A defesa de Ricardo Salgado está a negociar com as vítimas do processo BES/GES para o pagamento de indemnizações por danos morais e patrimoniais. Em causa estão acordos extrajudiciais que podem chegar aos 600 milhões de euros, segundo apurou o Now, e que deverão estar fechados antes do início do julgamento, marcado para 15 de outubro.
Vários lesados confirmaram ao Now que, para além do ex-presidente do BES, há contactos com outros seis arguidos, entre eles Amílcar Morais Pires, ex-braço-direito de Ricardo Salgado.
As negociações envolverão Nuno da Silva Vieira, que representa 1900 lesados, com estatuto de vítima no processo, que, confrontado pelo Now, não quis prestar declarações. Também Francisco Proença de Carvalho, que defende Ricardo Salgado, preferiu o silêncio.
No processo, cada uma das 1900 vítimas pede cerca de 300 mil euros de indemnização por danos morais e patrimoniais. Feitas as contas, falamos de quase 600 milhões de euros.
Tendo em conta que os bens dos arguidos estão todos arrestados, um eventual acordo entre as vítimas e os arguidos só poderia ter como objeto esses bens, colocando o Ministério Público numa posição de aceitação ou não destes acordos. A decisão será sempre dos juízes.
Com este acordo, as vítimas poderão deixar cair em julgamento os pedidos de indemnização.
A exemplo da situação de José Manuel Espírito Santo Silva, em que os herdeiros estão a tentar desvincular-se das responsabilidades com a morte do arguido, um eventual acordo dos arguidos e, em particular de Ricardo Salgado, poderia ser uma forma dos herdeiros (mulher e filhos), não serem responsabilizados de futuro.
Sabe o Now que a juíza do caso já marcou quase 100 sessões de julgamento até julho do próximo ano. São quase 150 testemunhas da acusação, sem contar com as pedidas pelas defesas.
Ricardo Salgado, de 80 anos, vai ser julgado por 65 crimes, entre os quais associação criminosa e corrupção ativa. O julgamento acontece dez anos após a derrocada do GES, que terá causado prejuízos superiores a 11,8 mil milhões de euros.