Fenómeno dos bebés que parecem reais está a tornar-se popular a nível mundial, especialmente nas redes sociais

Beatriz Torrete | 24 de Maio de 2025 às 15:20
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Bebés reborn

No Brasil, há reborn a serem levados ao hospital e o governo foi obrigado a adotar medidas. Em Portugal, estes bebés podem custar milhares de euros.


E se na rua se deparasse com estes bebés? Parecem reais, mas tratam-se de bonecos realistas. Cada vez mais conhecidos, são os bebés reborn criados nos Estados Unidos.

Pensados ao detalhe, desde a textura da pele, aos cabelos implantados fio a fio e até às veias pintadas à mão, foram criados por artistas especializados em escultura e pintura e o objetivo é replicar com o máximo realismo possível a aparência de um bebé verdadeiro.

Até o peso é o real, quer simbolizem bebés, recém-nascidos ou crianças. Tão reais que têm direito a um parto.

Estes bonecos não são brinquedos e são tratados como peças de colecionador ou objetos terapêuticos. Quem os usa são maioritariamente adultos.

Os bebés reborn conquistaram corações mas também dividiram opiniões. Longe de serem consensuais, os bonecos levantam questões importantes. Há benefícios, mas há também alguns riscos associados.

O mercado brasileiro é um dos principais exemplos do crescimento da comercialização. Em certas regiões do país, existem maternidades especializadas que recebem estes bonecos, simulam o parto e fornecem documentos como certidão de nascimento e boletim de vacinas. 

Entre as situações, há casais que se separam e lutam pela guarda do bebé reborn.

O fenómeno espalhou-se e levou o governo brasileiro a debater três propostas de lei: uma para restringir atendimentos médicos a reborns em instituições publicas e privadas, outra para regulamentar o acompanhamento psicológico para pessoas com vínculos afetivos com estes bonecos e a terceira que visa aplicar multas a quem tentar usar reborns para obter prioridade em serviços públcios. 

Apesar das críticas, o mercado dos bebés continua a expandir-se. No TikTok e Instagram, há milhões de utilizadores fascinados com a rotina destes bebés. Vídeos mostram os bonecos a serem mimados, vestidos e alimentados. 

Há bonecos no centro comercial, no escorrega ou num carrinho de bebé. Em casa, compram-se e administram-se medicamentos aos bonecos.

Nos comentários multiplicam-se ofertas para esta comunidade como anúncios de escolas para reborns.

Nas redes sociais já se utiliza a inteligência artificial para tornar os vídeos mais realistas ainda.

Quem publica este conteúdo é muitas vezes alvo de críticas nos comentários, mas para a psicóloga é preciso não ser precipitado. 

Em Portugal, os bonecos também começam a fazer parte. Os modelos mais elaborados podem custar centenas ou milhares de euros, dependendo do grau de realismo, e há listas de espera para encomendas personalizadas.

No Porto, já houve um encontro de pais de bebés reborn.

Os bebés são bonecos de silicone, mas o fenómeno está longe de ser uma brincadeira.