Com apenas 20 anos, Pipiras faz história no xadrez nacional, mesmo já tendo abdicado de alguns campeonatos, por ser difícil conciliar com os estudos.
Filipa Pipiras conseguiu esta semana o feito mais valioso do xadrez feminino português, com a obtenção do título de Grande Mestre feminina, mas não quer ficar por aqui e assume que aponta, agora, ao título de Mestre Internacional absoluto.
Com a excelente prestação no Grenke Open, em Karlsruhe, na Alemanha, a jovem portuguesa, de 20 anos, conseguiu a terceira e definitiva norma para Grande Mestre Feminina (WGM), faltando-lhe uma apenas para Mestre Internacional (MI).
Em declarações à Agência Lusa, Filipa assume que está "muito feliz" pelo que conseguiu, um "marco histórico nacional", prometendo continuar a lutar pelos objetivos, que passam por ser MI "talvez no próximo ano, já", e depois o escalão máximo, o de Grande Mestre absoluto, a exemplo da sua grande referência, a lendária jogadora húngara Judit Polgar.
Reconhece que o caminho "não vai ser fácil, daqui para a frente", porque continua a estudar e ´"não é fácil conciliar com os estudos"- é aluna do terceiro ano de Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, onde nem sequer usufruiu do estatuto de alta competição.
A dificuldade em conciliar o calendário escolar com o desportivo já levou mesmo a ter de abdicar de Campeonatos do Mundo ou da Europa de escalões jovens, ela que compete a alto nível vai para 10 anos.
Conseguir patrocínios também não tem sido fácil, pelo que só mesmo há quatro anos começou a ir a torneios de grande nível, como o de Karslruhe, o que é essencial para ganhar as tão ambicionadas normas.
Para chegar a MI, precisa nomeadamente de atingir um ELO de 2.400 e tem atualmente 2.320. "Já não deve ser este ano... não sei quando vou conseguir a terceira norma, gostava que fosse já para o próximo ano", diz.
"Ser profissional é o meu sonho", garante, confiante em que as suas capacidades "ainda não foram totalmente atingidas". Mesmo que para isso tenha sido necessário "sacrificar um pouco mais" o gosto pela corrida e pelo violoncelo.
Assumindo-se como "resiliente e lutadora", admite já ter passado por "situações desagradáveis" num meio em que ganha a quase todos os jogadores do sexo masculino no país - ou não fizesse parte, já desde os seus 17 anos, do top-10 absoluto português.
Nascida em 2005 em Durham, na Carolina do Norte, de pai lituano e mãe portuguesa, Filipa Pipiras tem dupla nacionalidade, de Portugal e dos Estados Unidos. Vive no Porto e compete pelo Colégio Efanor, depois de já ter sido jogadora do Grupo Desportivo Dias Ferreira e da Escola de Xadrez do Porto.