Filipa Pipiras torna-se a primeira Grande Mestre feminina de xadrez lusa

Lusa | 09 de Abril de 2026 às 09:36
Filipa Pipiras, a primeira Grande Mestre feminina de xadrez de Portugal
Filipa Pipiras, a primeira Grande Mestre feminina de xadrez de Portugal FOTO: José Gageiro

Com apenas 20 anos, Pipiras faz história no xadrez nacional, mesmo já tendo abdicado de alguns campeonatos, por ser difícil conciliar com os estudos.

Filipa Pipiras conseguiu esta semana o feito mais valioso do xadrez feminino português, com a obtenção do título de Grande Mestre feminina, mas não quer ficar por aqui e assume que aponta, agora, ao título de Mestre Internacional absoluto.

Com a excelente prestação no Grenke Open, em Karlsruhe, na Alemanha, a jovem portuguesa, de 20 anos, conseguiu a terceira e definitiva norma para Grande Mestre Feminina (WGM), faltando-lhe uma apenas para Mestre Internacional (MI).

Em declarações à Agência Lusa, Filipa assume que está "muito feliz" pelo que conseguiu, um "marco histórico nacional", prometendo continuar a lutar pelos objetivos, que passam por ser MI "talvez no próximo ano, já", e depois o escalão máximo, o de Grande Mestre absoluto, a exemplo da sua grande referência, a lendária jogadora húngara Judit Polgar.

Reconhece que o caminho "não vai ser fácil, daqui para a frente", porque continua a estudar e ´"não é fácil conciliar com os estudos"- é aluna do terceiro ano de Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, onde nem sequer usufruiu do estatuto de alta competição.

A dificuldade em conciliar o calendário escolar com o desportivo já levou mesmo a ter de abdicar de Campeonatos do Mundo ou da Europa de escalões jovens, ela que compete a alto nível vai para 10 anos.

Conseguir patrocínios também não tem sido fácil, pelo que só mesmo há quatro anos começou a ir a torneios de grande nível, como o de Karslruhe, o que é essencial para ganhar as tão ambicionadas normas.

Para chegar a MI, precisa nomeadamente de atingir um ELO de 2.400 e tem atualmente 2.320. "Já não deve ser este ano... não sei quando vou conseguir a terceira norma, gostava que fosse já para o próximo ano", diz.

"Ser profissional é o meu sonho", garante, confiante em que as suas capacidades "ainda não foram totalmente atingidas". Mesmo que para isso tenha sido necessário "sacrificar um pouco mais" o gosto pela corrida e pelo violoncelo.

Assumindo-se como "resiliente e lutadora", admite já ter passado por "situações desagradáveis" num meio em que ganha a quase todos os jogadores do sexo masculino no país - ou não fizesse parte, já desde os seus 17 anos, do top-10 absoluto português.

Nascida em 2005 em Durham, na Carolina do Norte, de pai lituano e mãe portuguesa, Filipa Pipiras tem dupla nacionalidade, de Portugal e dos Estados Unidos. Vive no Porto e compete pelo Colégio Efanor, depois de já ter sido jogadora do Grupo Desportivo Dias Ferreira e da Escola de Xadrez do Porto.