França pede reunião de emergência do Conselho de Segurança devido a ataques à FINUL

Lusa | 30 de Março de 2026 às 23:27
Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noel Barrot
Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noel Barrot FOTO: AP

Esta força, que conta com cerca de 8200 soldados provenientes de 47 países, encontra-se encurralada entre Israel e o grupo xiita pró-iraniano Hezbollah.

França pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, devido à morte de três "capacetes azuis" no Líbano, anunciou esta segunda-feira o Governo francês.

A França "condena com a maior firmeza os disparos" que causaram nas últimas 24 horas a morte de três capacetes azuis da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noel Barrot, numa rede social.

Esta força, que conta com cerca de 8200 soldados provenientes de 47 países, encontra-se encurralada entre Israel e o grupo xiita pró-iraniano Hezbollah.

Desde então, a FINUL tem sido alvo de disparos em várias ocasiões.

"A França condena igualmente os graves incidentes sofridos ontem [domingo] pelo contingente francês da FINUL na zona de Naqoura", acrescentou Barrot.

"Estas violações da segurança e estas intimidações por parte de soldados do exército israelita contra o pessoal da ONU são inaceitáveis e injustificáveis, tanto mais que os procedimentos de coordenação de operações tinham sido respeitados", afirmou o ministro francês, sublinhando que estas condenações "foram transmitidas com a maior firmeza ao embaixador de Israel em Paris".

Barrot exortou, por fim, todas as partes a respeitarem a segurança do pessoal da ONU.

Durante a última guerra entre o Hezbollah e Israel, no outono de 2024, a FINUL já tinha acusado as tropas israelitas de disparos "repetidos e deliberados" contra as suas posições.

A FINUL está destacada entre o rio Litani e a fronteira libanesa-israelita, e o seu quartel-general está instalado em Ras al-Naqoura, perto da fronteira com Israel.

Na sequência dos ataques, a ONU anunciou uma investigação para determinar os contornos dos incidentes mortais.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que ataques deliberados contra soldados de operações da paz são graves violações do direito internacional humanitário e podem constituir crimes de guerra.

O sul do Líbano está a ser bombardeado pelas forças israelitas desde que o movimento xiita libanês Hezbollah começou a disparar foguetes em direção ao norte de Israel, a 2 de março, em solidariedade com o Irão, alvo de uma ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos desde 28 de fevereiro.

O primeiro-ministro israelita disse no domingo que "ordenou a expansão da zona de segurança existente" no sul do Líbano, o que levará a uma maior ocupação militar israelita do país vizinho.

Benjamin Netanyahu justificou a decisão com a necessidade de "frustrar a ameaça de invasão e impedir o lançamento de mísseis antitanque na fronteira", argumentando que o Hezbollah conserva "uma capacidade residual de lançar foguetes".

Mais de 1200 pessoas já morreram devido à guerra em curso entre Israel e o Hezbollah e o número de feridos ultrapassa os 3500, segundo o Ministério da Saúde libanês.

A FINUL, que opera numa região no sul do país, junto à fronteira com Israel e supostamente vedada tanto aos militares israelitas como aos combatentes do Hezbollah, termina o mandato este ano.