Almada
Foi a chorar de forma compulsiva que a mulher falou com as autoridades.
Aterrorizada, e a chorar compulsivamente, a funcionária do colégio ‘O Mestre Cuco’, de Almada, enfrentou as autoridades policiais em pânico.
“Trocaram-me as rotinas. Matei uma bebé por causa disso”, disse.
Trabalha no colégio há 26 anos e as suas atribuições sempre foram diversas, mas apenas no contacto direto com crianças.
Quando se acalmou, disse, primeiro à PSP e já depois a inspetores da Polícia Judiciária, que tinha tido, durante semanas, um horário de trabalho sempre igual na recolha, transporte e entrega de crianças nos dois polos do colégio.
No dia da infeliz tragédia, essa rotina terá sido alterada, com a funcionária a ter de fazer um outro horário.
Foi ela que recebeu Sofia das mãos dos pais na casa da família, no Feijó, pelas 08h20 de quinta-feira, vindo depois a esquecer-se da menina de 18 meses no interior do Peugeot 5008, do estabelecimento de ensino.
Foi também ela quem, depois de os pais da menina terem dado o alerta no polo da creche do ‘‘O Mestre Cuco’ - onde a menina devia ter sido entregue pelas 15h45 do mesmo dia - abriu a porta do carro que estava estacionado a mais de um quilómetro e encontrou a bebé inanimada.
A criança esteve mais de sete horas no interior da viatura, ao sol. O INEM fez tudo para a reanimar, mas sem sucesso e Sofia acabou por morrer.
Após prestar depoimento, que terminou já na madrugada de sexta-feira, a mulher regressou a casa, sem ser constituída arguida. No entanto deverá acontecer em breve.
O inquérito irá, entretanto, prosseguir enquanto se espera pela a autópsia. Além da causa da morte, a diligência vai determinar a hora do óbito. Será com essa informação, que a PJ irá não só perceber se a morte da bebé foi causada por ação, direta ou indireta, da funcionária, ou se teve participação de outros intervenientes.
A possibilidade da investigação produzir mais arguidos, que podem vir a ser suspeitos do crime de homicídio por negligência - punidos com até cinco anos de prisão - é real.
A família está revoltada sem conseguir compreender o que falhou. Sofia era a única criança que seguia na carrinha