Fungo mortal Candida auris já chegou aos hospitais de Portugal
Estão confirmados os primeiros oito casos de infeção no País. Trata-se de um microrganismo resistente a medicamentos, considerado uma ameaça à saúde publica.
Candida auris é um fungo de propagação hospitalar e não comunitária. Ou seja, não é transmitido pelo ar, mas sim por contacto entre doentes, profissionais de saúde ou com equipamentos contaminados.
Entre 2013 e 2023, foram registados mais de quatro mil casos na Europa. Já em Portugal foram identificados oito casos, há cerca de três anos, num hospital da região Norte.
O fungo foi detetado em três dos doentes que morreram. Investigadores da Faculdade de Medicina do Porto, que estudaram estes casos, sublinham a importância de vigilância hospitalar. Sofia Oliveira, que coordenou o estudo, esclareceu, contudo, que embora os casos estivessem associados ao fungo Candida auris, esta não foi a causa da morte.
"Nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva reportados esteve exclusivamente associada à infeção, mas sim a comorbilidades severas dos doentes", explica.
Para a responsável, aquilo que leva a que seja necessária uma vigilância mais apertada tem que ver com a facilidade de transmissão do fungo em unidades de cuidados de saúde e também a resistência a alguns antifúngicos.
O estudo é revelado depois de o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças alertar para a rápida propagação do fungo nos hospitais e pediu medidas para travar a disseminação.