Governo já tinha demonstrado “que não compreendia a necessidade e a urgência da resposta”, diz Duarte Cordeiro
Para o ex-governante, há a sensação de que “o Governo vem sempre atrás dos autarcas, da oposição e de quem toma a iniciativa”.
O antigo ministro do Ambiente Duarte Cordeiro esteve no programa Informação Privilegiada no NOW na noite desta terça-feira e falou sobre a ação do Governo durante o ‘comboio de tempestades’ que tem assolado Portugal.
O ex-governante começou por lembrar que “vemos um bocadinho por todo o mundo estes fenómenos a acontecer com mais frequência”.
“A capacidade de recuperarmos rapidamente é que é determinante”, defendeu.
Segundo o antigo ministro, há duas dimensões da ação do Governo: a dimensão operacional e a dimensão preventiva — “em que antecipamos que estes fenómenos aconteçam ou do ponto de vista física ou até financeiro”.
“É aqui que acho que há imensas lacunas”, explicou.
Duarte Cordeiro defendeu que é preciso “começar a olhar para o futuro e antecipar que estes fenómenos ocorreram com mais frequência e nós temos de nos conseguir preparar — não só no território como também do ponto de vista da proteção dos bens”.
Ainda assim, considerou que houve “respostas bem conseguidas do ponto de vista de algumas entidades", mas que "outras foram sentidas como tardias”.
“O Governo teve uma entrada em falso neste processo. [...] No passado já tinha demonstrado — quer no tema dos incêndios, quer no tema do apagão — que o Governo não compreendia a necessidade e a urgência da resposta. Não só demora como parece projetar a ideia de que a comunicação é mais relevante do que dar respostas imediatas às pessoas”, defendeu.
Para Duarte Cordeiro, há a sensação de que “o Governo vem sempre atrás dos autarcas, da oposição e de quem toma a iniciativa”.
“Isso não é bom para o Governo”, concluiu.