Henrique Gouveia e Melo
Em entrevista exclusiva ao NOW, esta quinta-feira, o candidato a Belém quebrou o silêncio sobre temas como a Defesa e o posicionamento de Portugal na Europa.
O antigo Chefe de Estado-Maior da Armada foi o convidado da edição especial do "Guerra e Paz", com Germano Almeida. O candidato às presidenciais de janeiro de 2026 esteve no NOW para dar a conhecer a sua visão sobre questões nacionais e internacionais.
Confrontado com a mais recente sondagem da Intercampus para o NOW, que coloca o candidato empatado com Marques Mendes e António José Seguro, o ex-Chefe do Estado-Maior da Armada voltou a desvalorizar os estudos de opinião.
Henrique Gouveia e Melo disse que neste momento o foco é outro e que até ao "Dia D" ainda faltam seis meses e tudo pode mudar.
"Não me vou fiar em sondagens. Eu acho que todos nós temos de fazer o nosso papel, colocar as nossas propostas aos portugueses. Estamos a seis meses das eleições, ainda é muito tempo. São os portugueses que vão decidir. A última sondagem, a única que vale, é aquela que resultar da eleição em janeiro de 2026", afirmou o candidato a Presidente da República.
Quanto à defesa, Gouveia e Melo deixou críticas aos compromissos assumidos na cimeira em Haia, na Holanda, pelos países-membros da NATO. O candidato presidencial considera que a meta de atingir 5% do PIB em Defesa até 2035 é um cenário "irrealista" e que a Europa deve ter os pés bem assentes na terra.
"A Europa tem de ter muito bom-senso. Tem de perceber que tem de apostar na Defesa. Eu não acredito nos 5%, (...) acho que é um exagero", alerta.
Em análise esteve ainda a possível instabilidade das relações bilaterais entre Portugal e os Estados Unidos com a nova Administração Trump. Gouveia e Melo considerou que, desde o legado de Barack Obama, antigo Presidente norte-americano, que os Estados Unidos tinham vindo a dar sinais de que a Europa precisaria de ter mais autonomia na área da Defesa. Ainda assim, entende que Portugal quer manter a Administração Trump por perto.
"Esta nova América não é assim tão nova como parece, porque desde Obama que os Estados Unidos vinham avisando e dando sinais que queriam concentrar-se no Pacífico e de alguma forma entregar os assuntos do Atlântico e da Europa aos europeus. Esta tendência americana não é uma tendência do Sr. Trump, é uma tendência dos Estados Unidos", defendeu o almirante
No que toca às guerras como fator de instabilidade e imprevisibilidade, o ex-Chefe do Estado-Maior da Armada não ficou indiferente. Henrique Gouveia e Melo condenou as ações militares israelitas na Faixa de Gaza e alertou que todos estes conflitos "só vão contribuir para o ódio".
"Não consigo compreender o que está a acontecer na Faixa de Gaza. Acho que passou para lá do que é o limite de uma operação militar, esse limite é já ético, até para os próprios militares. Isso corrompe as próprias Forças Armadas de Israel", considerou Gouveia e Melo.
Aos 64 anos, o almirante é candidato à presidência da república, e até agora liderou todas as sondagens.
Serviu durante 45 anos a marinha portuguesa e foi chefe do Estado-Maior da Armada, entre o final de 2021 e 2024, período de tempo onde acabou por coordenar task force criada, em Portugal, para gerir o plano de vacinação contra a Covid-19.