Homicídio de Rosalina Ribeiro
Caso está entregue à justiça portuguesa, mas o julgamento já foi adiado várias vezes.
O crime aconteceu no outro lado do atlântico, mas o homicídio de Rosalina Ribeiro ainda está por julgar em Portugal, quase cinco mil dias após o crime.
São sete as testemunhas arroladas pelo Ministério Público, mas há já uma certeza: nem todos vão depor neste julgamento.
Nestes 15 anos, duas testemunhas já faleceram. Olímpia Feteira, a filha do milionário Lúcio Tomé Feteira, e Normando Marques, o advogado de Rosalina no Brasil.
Foi Aurílio Nascimento, Comissário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, quem liderou a investigação. O caso foi fechado em menos de dois anos. Duarte Lima foi acusado pelo Ministério Público brasileiro em 2011.
A notificação das testemunhas no Brasil está a ser uma verdadeira dor de cabeça para o tribunal de Sintra. A justiça brasileira alega que não as consegue encontrar, apesar de muitas manterem a mesma morada e telefone.
O julgamento já foi adiado duas vezes e corre o sério risco de não se iniciar este ano.
Se fosse julgado no Brasil, Duarte Lima enfrentava um tribunal de júri. Em Sintra, será julgado por um coletivo de juízes. As testemunhas vão depor por videoconferência.
Depois de anos e anos de recursos, a justiça brasileira encerrou o caso. Em 2020, o processo — uma pen com todo o caso digitalizado — fez uma longa viagem do Rio de Janeiro até à Procuradoria-Geral da República portuguesa, em Lisboa.
Em Portugal, Duarte Lima respondeu a perguntas colocadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
O advogado admitiu ter recebido cinco milhões de euros de Rosalina Ribeiro, mas justificou o dinheiro com honorários. Não negou que se encontrou com a vítima no dia do crime, mas garantiu que a deixou com vida a 200 metros de um hotel, em Saquarema. De seguida, viu-a a entrar no carro de Gisele, a mulher que ninguém conhece.