Irão: “Forças radicais militarizadas podem ter força e espaço político e social para tomar poder”, diz Daniela Nunes
Segundo a especialista, há três cenários possíveis para a transição de poder no Irão, “um deles mais catastróficos para os iranianos”, um mais benéfico para os “democratas ocidentais” e uma outra opção que pode ser “um equilíbrio”.
A especialista em política internacional Daniela Nunes foi a convidada desta quarta-feira do programa Guerra e Paz no NOW e falou sobre os conflitos no Médio Oriente depois do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.
Daniela Nunes começou por lembrar que Donald Trump já prometeu que o conflito iria durar entre quatro e cinco semanas, “o que é relativamente pouco tempo”, mas realçou que na verdade não se sabe como nem quando é que a guerra pode acabar.
“É uma operação cirúrgica de algumas semanas que previa a possibilidade de poder feita um bocadinho à pressão”, acrescentou.
Segundo a especialista, há três cenários possíveis para a transição de poder no Irão, “um deles mais catastróficos para os iranianos”, um mais benéfico para os “democratas ocidentais” e uma outra opção que pode ser “um equilíbrio”.
"O pior dos cenários será a tomada do poder muito por causa de um vazio político que, num regime desta natureza tão radical e tão teocrático como é o iraniano, é ainda mais exponenciado”, explicou.
Neste cenário, as forças radicais militarizadas — como a Guarda Revolucionária — “podem ter força e espaço político e social para tomar o poder”.
“O melhor dos cenários será uma transição do poder que tenha por base a vontade popular, em que as massas têm uma palavra a dizer e, na melhor das hipóteses, elegem alguém para as liderar”.