Jerónimo Guerreiro
O militar relatou que nos primeiros quatro meses não recebeu nada e que teve de pagar tudo do próprio bolso, desde comida a alojamento e combustível das viaturas para poder ir para as missões de guerra.
Aos 23 anos, o português Jerónimo Guerreiro morreu em combate numa operação em Kupiansk, no leste da Ucrânia. Até ao fim dos seus dias, acreditou na causa que o fez mudar de vida.
Semanas antes de perder a vida, o antigo militar paraquedista e bombeiro confidenciou ao Correio da Manhã as dificuldades que estava a viver no terreno. Garantiu que o Estado ucraniano lhe estava a dever dinheiro pelos serviços que prestava. Revelou também que passou fome.
Em fevereiro do ano passado, Jerónimo Guerreiro deixou os bombeiros de Sacavém para se alistar como mercenário na Ucrânia. A experiência como militar valeu-lhe um contrato com as Forças Armadas ucranianas. No entanto, o entusiasmo rapidamente caiu por terra.
O militar relatou que nos primeiros quatro meses não recebeu nada e que teve de pagar tudo do próprio bolso, desde comida a alojamento e combustível das viaturas para poder ir para as missões de guerra.
O cenário só melhorou quando passou para as fileiras da legião internacional. Deveria receber todos os meses cerca de 1500 euros ou o dobro caso fosse em missão, mas os pagamentos eram incertos. Participou em diversas batalhas próximas da fronteira russa sem nunca ter chegado a receber pelo trabalho que desempenhou.
A insatisfação foi aumentado até que decidiu deixar a guerra. Regressou assim a Portugal em dezembro do ano passado, mas um mês depois decidiu voltar para a Ucrânia e continuar a lutar pela causa que defendia.
Jerónimo Guerreiro morreu em combate no passado dia 29 de maio. O corpo está numa área de difícil acesso e a embaixada de Portugal em Kiev continua a fazer esforços para tentar recuperar os restantes quatro soldados portugueses que morreram a combater pela Ucrânia.