Lagarde avisa que situação económica da zona euro "continua frágil" devido ao conflito no Médio Oriente apesar de acordo

Lusa | 22 de Junho de 2026 às 16:10
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Presidente do Banco Central Europeu defendeu o recente aumento "sólido" das taxas de juro.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) avisou esta segunda-feira que a situação económica da zona euro "continua frágil" devido ao conflito no Médio Oriente, apesar do acordo alcançado, e defendeu o recente aumento "sólido" das taxas de juro.

"As perspetivas permanecem incertas, com riscos de subida da inflação e riscos de desaceleração do crescimento económico. O acordo de paz no Médio Oriente é bem-vindo, mas a situação continua frágil, existindo riscos de retrocessos ou de uma nova escalada", afirmou Christine Lagarde.

Intervindo perante os eurodeputados da comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, a responsável apontou que "as implicações completas da guerra para a inflação e o crescimento no médio prazo dependerão da intensidade e da duração do choque nos preços da energia, bem como da dimensão dos seus efeitos indiretos e de segunda ordem".

Duas semanas após o BCE ter decidido aumentar as taxas de juro, Christine Lagarde defendeu que tal deliberação "é sólida em todos os cenários preparados pelos especialistas".

Isto "significa que, em todos eles [cenários analisados], um aumento das taxas justifica-se", acrescentou a presidente do BCE, referindo que, com tal decisão, o banco central está "bem posicionado para enfrentar a incerteza provocada pela guerra".

"Acompanharemos de perto os desenvolvimentos e seguiremos uma abordagem dependente dos dados e tomada reunião a reunião para determinar a orientação adequada da política monetária", adiantou.

Recordando que as projeções do Eurosistema de junho apontam para uma inflação global de 3,0% em 2026, 2,3% em 2027 e 2,0% em 2028, Christine Lagarde disse ainda estar confiante de que, "com uma ação adequada de política monetária, a inflação regressará ao objetivo" de 2% definido pelo BCE para estabilidade dos preços.

A presidente do BCE descartou, ainda, "uma resposta mais agressiva nesta fase", dado não existem "sinais de afastamento das expectativas de inflação nem efeitos de segunda ordem que justifiquem".

Em 14 de junho passado, foi anunciado entendimento preliminar entre os Estados Unidos e o Irão para pôr termo às hostilidades no Médio Oriente e abrir negociações sobre o programa nuclear iraniano, o levantamento de sanções e a segurança regional.

O acordo prevê um período de negociações técnicas antes da sua formalização definitiva, estando a oficialização dependente do cumprimento dos compromissos acordados por ambas as partes.

Antes, em 11 de junho passado, o BCE decidiu subir as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,25%, naquele que foi o primeiro aumento das taxas diretoras em quase três anos, desde setembro de 2023.