O grupo alemão, que ganhou a corrida pela TAP, viu os lucros subirem após um primeiro semestre de prejuízos. O CEO da Lufthansa admite uma elevada "contenção de custos" para atingir um resultado positivo e as maiores receitas de sempre.
O verão deu um novo fôlego às contas do grupo Lufthansa, que vai assinar o acordo de compra da companhia aérea portuguesa TAP esta terça-feira, após ter garantido a vitória com uma proposta de 1,2 mil milhões de euros por 44,9%. Depois de um segundo trimestre com prejuízos, prejudicado pela fatura do jet fuel, o grupo alemão regressou aos lucros, tendo registado um resultado líquido de 1.257 milhões de euros.
O lucro deu, entre julho e setembro, um salto de 30% quando comparado com o trimestre homólogo, quando tinham sido registados ganhos de 966 milhões de euros. Já o resultado operacional cresceu 6% para 1.407 milhões de euros.
Quando analisado o ano, entre janeiro e setembro, o grupo de aviação liderado por Carsten Spohr viu o lucro cair 35% para 715 milhões de euros, contra os 1.093 milhões do período homólogo, sentindo-se o impacto da fatura do preço do jet fuel, derivado do conflito que se faz sentir no Médio Oriente e que levou a um ajuste na oferta e também na procura.
Até setembro, o resultado operacional recuou 20% para 1.178 milhões de euros, uma vez que se tinha fixado nos 1,48 mil milhões de euros no mesmo período do ano passado.
A futura acionista minoritária da TAP apresentou ainda receitas de 12,24 mil milhões de euros no terceiro trimestre, significando um aumento de 9%, tratando-se também dos melhores três meses de receitas da história do grupo alemão. Já as receitas até setembro ascenderam a 32.127 milhões de euros, um crescimento de 9%.
Os custos da operação cresceram 11% para 11,6 mil milhões de euros no trimestre, enquanto até setembro se verificou uma subida de 8% para 33 mil milhões. O grupo alemão explica que aumento dos custos "se deveu, acima de tudo, devido a um aumento significativo nas despesas com jet fuel".
Só no terceiro trimestre, a Lufthansa teve de desembolsar mais 543 milhões de euros para a fatura de jet fuel, quando em comparação com o valor pago no ano passado, num momento em que não existia o efeito extraordinário. Entre janeiro e setembro, as despesas com o jet fuel ascenderam a 6.722 milhões de euros, um incremento de 21% face a igual período de 2025. O grupo alemão diz que a cobertura de "hedging" foi de 1.211 milhões de euros.
Abordando os resultados, o CEO do grupo alemão, Carsten Spohr, mencionou que estes resultados positivos se deveram a uma grande "contenção de custos" e, em simultâneo, a "uma tendência positiva da procura, que se manteve forte até outubro". O líder da Lufthansa, que estará presente na assinatura do acordo de venda da TAP, que irá acontecer esta tarde, adiantou ainda que "este trimestre está entre os três melhores trimestres de sempre" para o grupo.
Em conferência com os analistas, Carsten Spohr revelou um aumento de 9% na procura pelas rotas do Atlântico Norte, entre a Europa e os Estados Unidos e o Canadá, e de 9,3% em direção à Ásia, após uma expansão das rotas em 4%, que foi motivada pelo desvio e difícil retoma dos trajetos para o Médio Oriente.
Ainda assim, o grupo Lufthansa, no qual se inserem a Austrian Airlines, Swiss ou ITA Airways, viu o número de voos operados recuar 3% para perto de 286 mil no terceiro trimestre, enquanto o número de passageiros caiu 2% para 41 milhões. Entre janeiro e setembro, o grupo operou 744 mil voos e movimentou 101,7 milhões de passageiros, quebras de 4% e de 1%, respetivamente.