Maior operador mundial de transporte de contentores redesenha rotas para contornar bloqueio a Ormuz

Nuno Gil Ferreira | 05 de Maio de 2026 às 19:38
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Estreito de Ormuz

A MSC está a apostar numa solução multimodal que liga a Europa ao Médio Oriente através do mar Vermelho e da Arábia Saudita.

A MSC é a maior operadora de transportes de contentores ao nível global e está agora prepara o lançamento do serviço “Europe — Red Sea — Middle East Express”. A primeira viagem está prevista para 10 de maio, com partida de Antuérpia e o objetivo é contornar o bloqueio do Estreito de Ormuz. 

O novo serviço da MSC inclui escalas em portos do norte e sul da Europ antes de atravessar o canal do Suez em direção ao mar Vermelho. A partir daí, os navios escalam portos estratégicos na costa ocidental saudita e é neste ponto que entra a componente terrestre: a carga segue por camião através da Arábia Saudita até Dammam, na costa oriental, onde é novamente embarcada. 

A distribuição final é feita através de navios de menor dimensão, responsáveis por ligar este ponto a vários destinos no golfo, incluindo Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Iraque e Kuwait, assegurando a ligação a zonas industriais que dependem do transporte contentorizado.   

A MSC justifica o lançamento do novo serviço com a “procura crescente” e o “cenário desafiante no Médio Oriente”, sublinhando que a solução foi desenhada para garantir “opções de transporte fiáveis, eficientes e competitivas”, com tempos de trânsito ajustados a diferentes tipos de carga.  

O bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz — na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão a 28 de fevereiro — está a forçar o setor a procurar alternativas.   

A alternativa agora desenhada implica maior complexidade operacional e tende a ser mais cara e com maior pegada carbónica, mas permite manter fluxos logísticos essenciais para economias fortemente dependentes do comércio marítimo.    

E a MSC não está sozinha nesta estratégia.  

A Hapag-Lloyd já tinha anunciado, em março, a criação de corredores terrestres através da Arábia Saudita e de Omã. 

E também a A.P. Moller-Maersk avançou com soluções multimodais de “ponte terrestre” para contornar a disrupção no Golfo.