Megaprojetos solares e eólicos multiplicam-se em Portugal com investimentos de centenas de milhões de euros

Jornal de Negócios | 27 de Março de 2026 às 11:48
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Megaprojetos solares e eólicos multiplicam-se em Portugal com investimentos de centenas de milhões de euros

No entanto, no terreno aumentam as objeções de autarquias e da população.

A dimensão e o enquadramento estratégico é comum em vários projetos solares e eólicos que avançam a todo o gás de norte a sul de Portugal. Trata-se de investimentos de centenas de milhões de euros, com contributo direto para as metas do Plano Nacional de Energia e Clima, em que o país fixou como meta atingir 51% de renováveis no consumo final bruto de energia até 2030. 

Ao mesmo tempo, a procura também cresce a pique. Em 2025, o consumo de eletricidade abastecido a partir da rede pública atingiu 53,1 terawatt-hora (twh), o valor mais elevado de sempre no sistema elétrico nacional. 

Em vários casos, os projetos integram soluções de armazenamento ou hibridização. A instalação destas infraestruturas em territórios de baixa densidade, muitas vezes com valor ambiental, agrícola ou turístico, tem, no entanto, gerado oposição nas localidades.  

A contestação envolve não apenas cidadãos, mas também autarquias e entidades regionais. O exemplo mais expressivo da contestação a um projeto de energia renovável, foi a contestação ao projeto solar Sophia, na Beira Baixa, atualmente em fase de reformulação.  

A consulta pública registou mais de 12 mil participações — um recorde no portal participa. As críticas centram-se sobretudo na dimensão das centrais, nos impactos paisagísticos e na alteração do uso do solo. 

Algumas delas resultaram mesmo em reformulações dos projetos, como a central solar da Beira, e nalguns casos a decisões ambientes desfavoráveis. Como é o caso do parque solar Alqueva. 

Uns têm maior aceitação institucional, enquanto outros enfrentam oposição direta das autarquias. 

Ainda assim, o denominador comum mantém-se: o processo de expansão das energias renováveis tem encontrado dificuldades de conciliar a instalação de nova capacidade com as expectativas e as preocupações dos territórios onde estas infraestruturas se inserem.