Mercados financeiros vivem grande volatilidade no mês de março

Jornal de Negócios | 27 de Março de 2026 às 11:42
A carregar o vídeo ...

Mercados financeiros vivem grande volatilidade no mês de março

As mensagens contraditórias do Irão e dos Estados Unidos sobre um possível cessar-fogo no Golfo têm deixado os investidores relutantes em fazer grandes apostas.

Às primeiras horas de 28 de fevereiro, o mundo despertava com a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra a liderança iraniana e a sua infraestrutura nuclear, na chamada operação Fúria Épica. Desde então, os mercados financeiros têm vivido dias de grande volatilidade — e agora, um mês depois, que balanço se pode fazer do desempenho das várias classes de ativos? 

Nos últimos dois dias, as mensagens contraditórias do Irão e dos Estados Unidos sobre um possível cessar-fogo no Golfo têm deixado os investidores relutantes em fazer grandes apostas. E, por isso mesmo, a incerteza continua a alimentar uma negociação instável, com os ativos de risco a serem colocados à margem — e sem que alguns dos habituais ativos-refúgio estejam a ser mais procurados. 

A guerra no Irão está assim a ofuscar tudo o resto nos mercados. As bolsas começaram a incorporar nos preços um cenário de guerra prolongada e caótica, dados os danos duradouros nas infraestruturas energéticas e, por extensão, uma oferta mais restrita e um travão na economia mundial no segundo e terceiro trimestres de 2026. 

Com efeito, o crescendo de hostilidades ameaça o abastecimento energético e o crescimento global e há já bancos centrais a adotarem um posicionamento mais duro em resposta às expectativas do mercado em relação ao petróleo e aos riscos de uma segunda onda de inflação. Isso faz com que as rendibilidades da dívida subam e os ativos que não remuneram juros, como o ouro, caiam no esquecimento. 

Dentro dos ativos-refúgio, apenas o dólar cumpriu o seu papel em tempos de crise, embora de forma menos acentuada face às moedas dos mercados emergentes. A explicação mais simples é familiar, segundo o banco suíço Julius Baer. É que na fase de pico de uma crise, os investidores liquidam o que podem, incluindo os ativos mais adequados para se protegerem da tempestade. 

E se as bolsas estão todas em queda, a energia é claramente vencedora na ótica do investidor — sobretudo devido ao fecho do Estreito de Ormuz, pode onde passa 20% do petróleo e gás consumidos a nível mundial. Desde o início da guerra, os preços do petróleo sobem perto de 50% e os do gás já valorizaram 74%.