Ministério Público acusa neonazis do Movimento Armilar Lusitano de organização terrorista

Carlos Rodrigues Lima | 18 de Junho de 2026 às 14:49
Ministério Público acusa neonazis do Movimento Armilar Lusitano de organização terrorista
Ministério Público acusa neonazis do Movimento Armilar Lusitano de organização terrorista FOTO: Freepik
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Depois das FP-25, esta é a primeira acusação a um grupo exclusivamente português. Investigação recolheu planos para atacar instituições e armas em 3D.

O Ministério Público acusou os membros do Movimento Armilar Lusitano (MAL) de pertencerem a uma organização terrorista de carácter neonazi. Depois do caso FP-25, esta é a primeira acusação  a um grupo exclusivamente português. Além de quatro suspeitos em prisão preventiva, a acusação abrange ainda mais cinco pessoas.

O MAL foi desmantelado pela Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, em junho do ano passado, com a detenção dos seus principais líderes, entre os quais um agente da PSP a prestar serviço na Polícia Municipal de Lisboa.

Após a análise de toda a prova recolhida nas buscas que decorreram aos mesmo tempo, os investigadores descobriram toda a arquitetura da organização, desde a liderança aos processos de recrutamento - os quais passavam por várias entrevistas e questionários aos candidatos -, assim como pela construção e experimentação das armas feitas em impressoras 3D. De acordo com informações recolhidas pelo NOW, a investigação chegou a recolher vídeos os elementos do MAL a experimentá-las.

O grupo detinha ainda centenas de explosivos, sobretudo granadas, e gerou algum pânico na investigação quando os seus membros conversaram ao telefone sobre um eventual ataque à Assembleia da República.

Em junho de 2025, aquando das detenções dos principais suspeitos, a procuradora Cláudia Porto do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) defendeu que os membros do MAL agiram com o “objectivo conseguido de criar e fazer parte de um grupo que correspondesse a um movimento político nacionalista e de extrema-direita anti-imigração apoiado numa milícia armada com um arsenal próprio”.

E que preconizam o , “recurso à violência ideologicamente motivada como sendo necessária para atingir fins políticos, designadamente para enfrentar a imigração que entendiam ser descontrolada e uma ameaça contra Portugal e os Portugueses”.

Nas plataformas online - grupos no Signal e no Telegrama - os cabecilhas do MAL defendiam abertamente “ideias extremistas, incluindo a ideologia neonazi, e a crença em movimentos políticos anti-sistema”