Depois das FP-25, esta é a primeira acusação a um grupo exclusivamente português. Investigação recolheu planos para atacar instituições e armas em 3D.
O Ministério Público acusou os membros do Movimento Armilar Lusitano (MAL) de pertencerem a uma organização terrorista de carácter neonazi. Depois do caso FP-25, esta é a primeira acusação a um grupo exclusivamente português. Além de quatro suspeitos em prisão preventiva, a acusação abrange ainda mais cinco pessoas.
O MAL foi desmantelado pela Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, em junho do ano passado, com a detenção dos seus principais líderes, entre os quais um agente da PSP a prestar serviço na Polícia Municipal de Lisboa.
Após a análise de toda a prova recolhida nas buscas que decorreram aos mesmo tempo, os investigadores descobriram toda a arquitetura da organização, desde a liderança aos processos de recrutamento - os quais passavam por várias entrevistas e questionários aos candidatos -, assim como pela construção e experimentação das armas feitas em impressoras 3D. De acordo com informações recolhidas pelo NOW, a investigação chegou a recolher vídeos os elementos do MAL a experimentá-las.
O grupo detinha ainda centenas de explosivos, sobretudo granadas, e gerou algum pânico na investigação quando os seus membros conversaram ao telefone sobre um eventual ataque à Assembleia da República.
Em junho de 2025, aquando das detenções dos principais suspeitos, a procuradora Cláudia Porto do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) defendeu que os membros do MAL agiram com o “objectivo conseguido de criar e fazer parte de um grupo que correspondesse a um movimento político nacionalista e de extrema-direita anti-imigração apoiado numa milícia armada com um arsenal próprio”.
E que preconizam o , “recurso à violência ideologicamente motivada como sendo necessária para atingir fins políticos, designadamente para enfrentar a imigração que entendiam ser descontrolada e uma ameaça contra Portugal e os Portugueses”.
Nas plataformas online - grupos no Signal e no Telegrama - os cabecilhas do MAL defendiam abertamente “ideias extremistas, incluindo a ideologia neonazi, e a crença em movimentos políticos anti-sistema”