Ministério Público investiga denúncias que acusam os responsáveis dos Bombeiros Voluntários de Camarate de terem desviado bens doados à instituição

Correio da Manhã | 03 de Março de 2025 às 13:06
A carregar o vídeo ...

Bombeiros Voluntários de Camarate

O quartel da corporação foi alvo de buscas.


A campanha era de apoio a refugiados ucranianos e foi organizada logo nos primeiros meses de guerra, em 2022.

Em meados de março daquele ano, uma caravana dirigiu-se à Moldávia, numa viagem solidária dos Bombeiros Voluntários de Camarate, que contou com a participação de outras associações de norte a sul do país.

O Correio da Manhã apurou que a denúncia do Ministério Público indica que parte dos produtos e bens nunca chegaram ao destino.

Em cima da mesa existem suspeitas de que possam ter sido enviados depois, com proveitos comerciais, para outros países.

Os investigadores, sabe o Correio da Manhã, já ouviram várias pessoas no âmbito do inquérito.

O alegado desvio de verbas provenientes da venda de veículos pertencentes à corporação ou da prestação de serviços pelos bombeiros, como o enchimento de piscinas particulares, estará também na mira da PJ.

A investigação foca na atuação do Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Camarate, Renato Alves, e do comandante da corporação, Luís Martins.

Além de responsáveis, são colegas na Junta de Freguesia de Camarate, Unhos e Apelação, eleitos pelo PS nas autárquicas de 2021, ocupando os cargos de presidente e vogal.

A investigação tem passado por diversas buscas domiciliárias.

O comandante Luís Martins garante a tranquilidade de toda a corporação quanto à investigação.

Ao Correio da Manhã, o Presidente da junta e dos bombeiros de Camarte, confirmou as abordagens policiais, mas negou qualquer irregularidade na gestão da instituição.

Sobre as várias denúncias apresentadas, Renato Alves afirma que estas não fazem sentido.

Ainda assim, o Presidente admite que algum material doado à instituição pode de facto não ter chegado à Moldávia, mas apenas por motivos de falta de espaço, alegando ter sido doado a associações, em Portugal, que apoiavam refugiados ucranianos.