Ministério Público junta vários negócios duvidosos do Novo Banco num só processo

| 30 de Outubro de 2025 às 11:58
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Buscas Novo Banco

Um dos alvos foi a compra a preço de saldo de uma herdade na Praia do Meco. Em causa estão crimes de corrupção, burla qualificada e branqueamentos de capitais.

Esta quarta-feira ficou marcada por uma investigação cujo alvo foi o Novo Banco, a entidade que ficou com a atividade bancária e com os chamados "ativos bons" do antigo Banco Espírito Santo (BES).

As buscas foram feitas não só na rede no banco, como também na empresa KPMG e em escritórios de advogados.

Um dos alvos estará relacionado com a compra a preço saldo da Herdade da Ferraria, na zona do Meco, um imóvel com mais de 260 hectares com acesso privado à Praia do Meco. A compra foi feita pela mulher do antigo gestor do grupo.

Foi vendida por um milhão e meio de euros, sendo que tinha potencial para ser vendida por dez vez mais, ou seja, entre dez a 15 milhões de euros.

Em causa estão suspeitas de corrupção na venda de ativos do Novo Banco, desde 2018, sobretudo imobiliários, gerando receitas elevadas e um autêntico carrossel de comissões.

O Ministério Público e a Polícia Judiciária (PJ) decidiram juntar num só processo vários inquéritos que avaliam a existência dos eventuais crimes. O inquérito concentra-se no período em que o Novo Banco já estava na posse da Lone Star, que ficou com 75% do banco em outubro de 2017, e na presidência de António Ramalho que ficou até 2022.

Fontes próximas da investigação adiantaram que se acredita que existia um “clima de favorecimento pessoal e de pessoas próximas” de alguns dirigentes e gestores do banco.

A KPMG confirmou depois as buscas nos escritórios e diz não ser visada na operação.

Por coincidência, a operação foi levada a cabo no mesmo dia em que o Estado português vendeu 25% do Novo Banco, entre o Ministério das Finanças, o fundo de resolução, os atuais acionistas e o grupo francês BPCE.