O Governo aprovou uma resolução a convidar formalmente os grupos de aviação Air France-KLM e Lufthansa a apresentarem propostas vinculativas para a compra de 44,9% do capital da TAP destinados a investidores de referência.
O ministro das Finanças afirmou esta quinta-feira que a guerra no Irão gera incerteza, particularmente no setor da aviação, mas manifestou-se confiante que o valor estratégico, de médio e longo prazo da TAP não será afetado.
Esta posição foi transmitida por Joaquim Miranda Sarmento no final da reunião do Conselho de Ministros em que o Governo aprovou uma resolução a convidar formalmente os grupos de aviação Air France-KLM e Lufthansa a apresentarem propostas vinculativas para a compra de 44,9% do capital da TAP destinados a investidores de referência.
“Relativamente à guerra, há de facto um nível de incerteza muito grande, não apenas neste setor [da aviação], mas na economia em geral. Em todo o caso, creio que os concorrentes olham para a TAP numa perspetiva de médio e longo prazo”, sustentou o ministro das Finanças.
Joaquim Miranda Sarmento manifestou-se confiante que os potenciais investidores na TAP olham para a transportadora aérea nacional “como um ativo muito importante na sua estratégia de crescimento, particularmente em mercados que têm neste momento taxas de crescimento muito elevadas”.
“Portanto, embora não sabemos o que vai acontecer nos próximos meses, creio que até ao momento o valor estratégico e de médio e longo prazo da TAP não é afetado por esta situação”, defendeu.
Antes, em relação a esta mesma questão sobre o impacto no setor da aviação em consequência da ofensiva militar dos Estados Unidos e Israel no Irão, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, observou que a guerra “é algo que preocupa qualquer Governo”.
“No caso particular, é uma guerra que impacta valores de combustíveis numa indústria em que há uma percentagem relevantíssima de custos associados precisamente ao ‘jet fuel’ e a todo o consumo de combustíveis”, apontou.
De acordo com Miguel Pinto Luz, esta situação de crise internacional “naturalmente que poderá ter impacto” no setor da aviação.
“E não seria transparente com os portugueses se nós não o sinalizássemos de uma forma muito frontal, como sempre fazemos. Estamos a acompanhar a situação. Queremos acreditar que mais cedo do que mais tarde este problema vai ser solucionado, a indústria vai adaptar-se e vamos conseguir fechar o processo”, acrescentou.
Na conferencia de imprensa, os dois membros do Governo foram questionados sobre a informação que tem sido dada ao Presidente da República, António José Seguro, no que respeita ao processo de privatização da TAP.
Miguel Pinto Luz recusou-se a comentar temas que fazem parte da reunião semanal entre o Presidente da República e o primeiro-ministro.
No processo de privatização da TAP, o Governo quer alienar até 49,9% do capital da companhia, dos quais 44,9% a um investidor de referência e até 5% reservados a trabalhadores, num processo em que serão tidos em conta o preço, o plano industrial, a conectividade e a capacidade financeira do comprador.