Moedas rejeita proposta do PS para apoios em Lisboa face ao aumento do preço dos combustíveis

Lusa | 02 de Abril de 2026 às 00:33
Moedas rejeita proposta do PS para apoios em Lisboa face ao aumento do preço dos combustíveis
Moedas rejeita proposta do PS para apoios em Lisboa face ao aumento do preço dos combustíveis FOTO: Filipe Amorim/LUSA

A proposta teve os votos a favor de toda a oposição, nomeadamente PS, Livre, BE, PCP e Chega.

A Câmara de Lisboa rejeitou hoje, com os votos contra da governação PSD/CDS-PP/IL, a proposta do PS para criar um programa municipal de mitigação dos efeitos do aumento dos custos dos combustíveis, com apoio a instituições e famílias.

Em reunião privada do executivo municipal, a equipa de PSD/CDS-PP/IL, liderada pelo social-democrata Carlos Moedas, que governa com maioria absoluta após a inclusão de uma vereadora independente eleita pelo Chega, reprovou a proposta do PS para aprovar o Programa Municipal Extraordinário de Compensação Energética e Operacional.

Fonte do município disse à Lusa que a proposta teve os votos a favor de toda a oposição, nomeadamente PS, Livre, BE, PCP e Chega.

Justificando o voto contra e, consequentemente, a inviabilização da proposta, em resposta à Lusa, a governação PSD/CDS-PP/IL disse que “o executivo municipal está atento e tem toda a solidariedade com as pessoas mais impactadas por este tema” do aumento dos custos dos combustíveis.

“Todavia, a proposta do PS é redundante, dado que o Governo apresentou muito recentemente, e já se encontra em vigor, um programa robusto de ‘apoios e medidas para mitigar o aumento dos custos de energia’, que cobre a população em geral e as pessoas com condições socioeconómicas mais vulneráveis em particular”, indicou.

A equipa de Carlos Moedas afirmou ainda que, por outro lado, a Câmara Municipal de Lisboa (CML), através do FES - Fundo de Emergência Social e de outras ações e apoios na área social, está também a mitigar estas situações.

Segundo a proposta do PS, o Programa Municipal Extraordinário de Compensação Energética e Operacional pretendia “mitigar os efeitos do aumento dos custos da energia e dos combustíveis no concelho de Lisboa, assegurando a continuidade da capacidade operacional das entidades essenciais e a proteção das famílias em situação de vulnerabilidade”.

Em causa está o aumento extraordinário dos preços dos produtos petrolíferos, decorrente do conflito no Médio Oriente, referiu o PS, acrescentando que “as consequências dessa abrupta e continuada subida dos custos com energia e combustíveis, está a colocar sob forte pressão o funcionamento das instituições sociais e das estruturas de proteção civil, bem como o equilíbrio financeiro de milhares de famílias no concelho de Lisboa”.

Na reunião, com os votos contra da governação PSD/CDS-PP/IL e da vereação do Chega, foi também rejeitada a proposta do PS para que o município avalie o potencial habitacional dos edifícios sitos na Avenida Visconde Valmor números 72 a 72C e na Rua Filipe Folque números 44 a 44B, colocados em hasta pública pela ESTAMO, para eventual aquisição dos mesmos, designadamente através do exercício do direito de preferência.

Justificando o voto contra, a governação PSD/CDS-PP/IL referiu que “estes dois ativos em concreto não foram identificados, do ponto de vista técnico, como sendo especificamente relevantes para aquisição, tendo também presente o extenso portefólio da CML, que pode e deve ser aproveitado para desenvolvimento de habitação”.

A gestão de Carlos Moedas sublinhou ainda que a CML está a concretizar investimentos e iniciativas de “grande envergadura” na área da habitação, através da construção de mais fogos para o parque público, do desenvolvimento de zonas de grande escala para nova habitação, do apoio ao pagamento de rendas, da aceleração de processos de licenciamento, da revitalização de bairros e da habitação social e de programas de reabilitação de imóveis em bairros históricos destinados sobretudo a jovens.

Em comunicado, o PS criticou a opção política de “rejeitar propostas concretas” que poderiam contribuir para reforçar a habitação pública, assim como apoiar instituições e famílias num contexto de crescente pressão económica na cidade.

Além de oito eleitos de PSD/CDS-PP/IL (incluindo o presidente) e de uma independente ex-Chega, que juntos governam com maioria absoluta, entre os 17 membros que compõem o executivo municipal há quatro vereadores do PS, um do Livre, um do BE, um do PCP e um do Chega.