Montenegro pede "resposta coordenada" na UE contra aumento do custo de vida

Lusa | 06 de Outubro de 2026 às 12:31
O primeiro-ministro, Luis Montenegro, fala aos jornalistas após a reunião
O primeiro-ministro, Luis Montenegro, fala aos jornalistas após a reunião FOTO: Miguel Pereira da Silva
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Primeiro-ministro defende que "resolver os problemas concretos" das pessoas é o "melhor caminho" para combater o populismo e a demagogia.

O primeiro-ministro pediu esta terça-feira uma "resposta coordenada" a nível europeu para lidar com o aumento do custo de vida, defendendo que "resolver os problemas concretos" das pessoas é o "melhor caminho" para combater o populismo e a demagogia.

Num discurso na sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Luís Montenegro salientou que a "crise energética devido a conflitos internacionais" nos quais a União Europeia não participa "está a ter um impacto grave na vida dos europeus".

"A capacidade de resposta europeia também pode fazer a diferença. Deve fazer a diferença. Estará na altura de não deixarmos a cada Estado-membro atuar por si, ou apenas por si só, e também estará na altura de podermos ter uma resposta coordenada a nível europeu", pediu.

O primeiro-ministro insistiu, à semelhança do que já tinha feito no seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, em setembro, que a crise energética provocada pela guerra no Irão é uma "espécie de masoquismo coletivo que está a causar danos a todos".

"E como está a prejudicar todos, é também coletivamente que temos de encontrar respostas, sem excluir nada, incluindo refletir e eventualmente decidir a propósito do mecanismo de formação do preço do petróleo no mercado internacional", disse, insistindo numa proposta que tinha igualmente feito já em Nova Iorque.

Neste discurso, Luís Montenegro abordou ainda a crise na habitação, salientando que o Governo se tem empenhado em "aumentar a oferta", através de medidas como a simplificação de procedimentos ou a redução de impostos à construção, e em "apoiar a procura quando essa necessidade é imperiosa", apoiando os jovens na aquisição da primeira casa.

No entanto, também nesta matéria, o primeiro-ministro voltou a pedir uma resposta comum.

"Seria muito útil que, a nível europeu, pudéssemos ter uma resposta complementar, evidentemente respeitando as competências nacionais, mas contribuindo através de procedimentos, regulação e da mobilização de financiamento, para que as políticas ativas de habitação possam ter resultado", afirmou.

Perante os eurodeputados, o chefe do executivo defendeu que a União Europeia (UE) tem de ser capaz de "resolver os problemas concretos das pessoas", considerando que esse "é o melhor caminho para conter e diminuir o espaço do crescimento da demagogia, do populismo e do extremismo".

"Também por isso, a nossa resposta não pode ser apenas tecnocrática e retórica. Tem de ser política, tem de ser concreta, tem de ser sentida na vida dos europeus", sustentou.