Mudança para bitola europeia poderia custar até sete mil milhões de euros

Bárbara Cardoso | 18 de Setembro de 2026 às 13:15
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Bitola

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No entanto, o custo avultado de mudar mais de três mil quilómetros de linha férrea pode ser mitigado, já que pode contar com o apoio de Bruxelas.

Portugal não vê sentido na mudança da bitola (distância entre os carris de uma via-férrea) para o modelo europeu, mas a Infraestruturas de Portugal admite que a uniformização da rede pode atrair fundos europeus, permitir ter comboios mais baratos e ainda aguçar a concorrência.

A Comissão Europeia quer que todo o bloco esteja interligado via comboio, mas a mudança para a bitola europeia poderia custar a Portugal quase sete mil milhões de euros.

Num relatório divulgado esta semana, a Infraestruturas de Portugal disse já que a decisão do País está dependente daquilo que os vizinhos espanhóis decidirem.

No entanto, o custo avultado de mudar mais de três mil quilómetros de linha férrea pode ser mitigado, já que pode contar com o apoio de Bruxelas.

Se decidir mudar, Portugal pode ser elegível para recorrer a fundos europeus, através do Connecting Europe Facility e outros instrumentos de financiamento da Rede Transeuropeia de Transportes.

Além disso, os comboios poderão ser mais baratos. A Infraestruturas de Portugal afirma que a “migração da totalidade da rede ferroviária nacional possibilita a reconversão de uma percentagem considerável da frota de material circulante de bitola ibérica, o que contribui para custos globais com material circulante mais moderados”.

A mudança iria ainda permitir o acesso a maior diversidade de oferta de de comboios em termos de fabricantes e modelos, com preços mais competitivos e uma manutenção mais eficiente.

A Infraestruturas de Portugal destacou que a decisão iria “assegurar o interesse da entrada de novos operadores em Portugal, ou seja, um aumento na concorrência e potenciar um aumento da oferta, e marcar um benefício estratégico para a mobilidade militar".

Pesados todos os custos, a Infraestruturas de Portugal considera que os resultados seriam positivos, mas a muito longo prazo. A poupança superava os 68 milhões de euros anuais.