Saúde
A notícia é avançada pela revista Sábado. A falta de médicos para assegurar o funcionamento das urgências em Portugal, continua a ser um problema que está a afetar vários hospitais públicos.
É um negócio lucrativo para muitas empresas, que tem vindo a crescer desde a Pandemia da COVID-19.
Começou como uma prática com o objetivo de colmatar a falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde, agora é um negócio multimilionário para várias empresas, que apesar de estar a viciar o sistema, segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, não pode demonizado.
Segundo uma notícia avançada pela revista Sábado, apesar da ministra da Saúde ter garantido que, a partir de setembro, o funcionamento das urgências de obstetrícia e ginecologia no hospital Garcia de Orta, em Almada, iria estar assegurado por médicos do privado, esse não foi o cenário real.
No fim-de-semana de 13 de setembro, a equipa de médicos tarefeiros acabou por faltar, e uma vez que era único serviço de urgência na região, aberto durante esse período, obrigou as grávidas da Península de Setúbal a deslocarem-se até lisboa.
Em Portugal, um médico que presta serviços pode faltar sem justificação e não há consequências. Segundo foi apurado pela revista Sábado, os médicos tarefeiros sustentam os serviços hospitalares, mas não têm o mesmo nível de responsabilidade que um médico do SNS, uma vez que podem estar comprometidos a uma escala, mas se 24 horas antes lhes for oferecida uma proposta melhor, podem desistir.
Para os sindicatos o negócio promove a desigualdade entre os profissionais, uma vez que os médicos tarefeiros chegam a receber o dobro de especialistas do quadro.
Além de não haver controlo na qualidade dos profissionais, também não há controlo sobre a carga horária que têm.
Em Portugal, este é um negócio que envolve milhões de euros da saúde. Até agosto deste ano, o SNS gastou 230 milhões de euros, mais de 17 milhões que em todo o ano de 2024.
Já as empresas com contratos com o SNS têm vindo a faturar, cada vez mais na última década. Desde 2009, uma única empresa chegou a faturar aproximadamente 56 milhões de euros.
O governo quer passar a penalizar quem sai do Serviço Nacional de Saúde, para travar o excesso de médicos que trabalham sob este regime. Nesse sentido, Ana Paula Martins garante que está a ser preparado um diploma para ir a Conselho de Ministros, ainda no mês de setembro.