Novas restrições comerciais da UE terão impacto limitado na economia chinesa

Lusa | 09 de Outubro de 2026 às 12:44
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A entidade estimou esta sexta-feira que a imposição de tarifas adicionais de 20 pontos percentuais sobre as importações chinesas em setores estratégicos reduziria o Produto Interno Bruto (PIB) da China entre 0,2% e 0,4%.

A consultora Capital Economics considera que um eventual agravamento das restrições comerciais da UE contra a China terá um impacto limitado na economia chinesa, embora aumente a pressão sobre as relações bilaterais, já marcadas por um elevado défice comercial europeu.

A entidade estimou esta sexta-feira que a imposição de tarifas adicionais de 20 pontos percentuais sobre as importações chinesas em setores estratégicos reduziria o Produto Interno Bruto (PIB) da China entre 0,2% e 0,4%.

Distribuído por três anos, este impacto retiraria cerca de uma décima de ponto percentual ao crescimento económico anual do país asiático.

O relatório, divulgado durante a visita a Pequim do comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, considera que mesmo uma escalada mais abrangente das restrições comerciais seria limitada pela "elevada dependência" europeia de fornecimentos chineses de minerais críticos e tecnologias verdes, bem como pelas divergências entre os Estados-membros.

A pressão na Europa para endurecer a resposta às importações chinesas aumentou nos últimos meses, numa altura em que Bruxelas exige a Pequim medidas para corrigir um desequilíbrio comercial que considera "insustentável".

Segundo a Capital Economics, as atuais medidas de defesa comercial da União Europeia (UE) abrangem apenas 4% das importações provenientes da China, percentagem que sobe para 4,5% quando são incluídas as investigações em curso e as medidas de salvaguarda não dirigidas especificamente contra Pequim.

A consultora advertiu, contudo, que os novos instrumentos em estudo poderão afetar "setores inteiros", em vez de apenas produtos específicos.

Entre os setores potencialmente abrangidos estão os automóveis, o aço, o cimento, o alumínio, as baterias, a energia solar e eólica e a indústria química, áreas incluídas na futura Lei de Aceleração Industrial europeia.

Num cenário de tarifas adicionais entre dez e 30 pontos percentuais sobre estes setores, a Capital Economics calcula que as importações europeias dos produtos chineses abrangidos poderão cair entre 40% e 80% a longo prazo.

Esta redução equivaleria a uma diminuição de 10% a 20% do total das importações da UE provenientes da China.

O impacto sobre a economia chinesa seria, contudo, inferior à dimensão da quebra das exportações para o mercado europeu, uma vez que as empresas poderiam adaptar-se através do desvio das vendas para outros mercados ou do encaminhamento de mercadorias por países terceiros, como aconteceu após a imposição de tarifas norte-americanas, segundo a consultora.

Andrew Small, diretor do programa Ásia do Conselho Europeu de Relações Externas (ECFR), considerou esta semana que o consenso europeu para adotar medidas mais duras contra a China está "finalmente" a ganhar forma.

Segundo o investigador, a prudência da Alemanha "travou" durante muito tempo a adoção de uma abordagem europeia mais firme perante as práticas comerciais chinesas.

Small alertou, contudo, para o risco de Pequim tentar atrair a UE para uma "armadilha processual", apresentando concessões suficientes para adiar a adoção de medidas europeias, mas insuficientes para "alterar as dinâmicas" que, na sua perspetiva, estão a contribuir para a desindustrialização da Europa.

Sefcovic participa entre esta quinta e sexta-feira, em Pequim, na segunda ronda do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a UE.

A visita ocorre numa altura em que Bruxelas procura resultados "tangíveis" para reequilibrar as relações económicas com Pequim, marcadas por um défice comercial europeu de 359.800 milhões de euros em 2025, pelo acesso limitado ao mercado chinês e pelas tensões decorrentes do aumento das exportações industriais chinesas.