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Ao NOW, o jornalista disse ainda que nesta investigação podem estar em causa vários crimes, como corrupção, prevaricação e participação económica em negócio.
Carlos Rodrigues Lima, jornalista, e Eduardo Dâmaso, diretor-geral editorial adjunto da Medialivre, estiveram esta quinta-feira no programa NOW às Nove, onde comentaram a operação em larga escala que a Polícia Judiciária está a levar a cabo desde o início da manhã, que envolve centenas de buscas a organismos públicos e empresas.
Para Eduardo Dâmaso, a contratação pública é atualmente uma das áreas de maior risco no que respeita ao crime económico. "Há dezenas, se não mesmo centenas de processos ativos em muitas áreas, e a singularidade deste inquérito, pelo que se sabe até agora, é que o próprio Banco de Portugal é de alguma forma visado em algumas das suas contratações, nomeadamente na aquisição de material informático, através de processos de contratação pública", afirmou.
O jornalista Carlos Rodrigues Lima destacou que nesta investigação podem estar em causa vários crimes, como corrupção, prevaricação e participação económica em negócio. "É tudo um pouco à volta do pântano, como referiu Eduardo Dâmaso. A contratação pública, a aquisição de material e a capacidade de identificar pequenas lacunas na lei para evitar concursos públicos ou consultas prévias, recorrendo ao ajuste direto, são alguns dos mecanismos usados. Muitas vezes, trata-se do acesso privilegiado de fornecedores a informação interna sobre critérios de adjudicação e valores pretendidos", explicou.
Carlos Rodrigues Lima adiantou ainda que, segundo as primeiras informações conhecidas, poderá ter existido "uma espécie de conluio dentro de alguns organismos da administração pública, que funciona como uma rede para favorecer determinados contratos".
A investigação continua a decorrer, e espera-se que nas próximas horas sejam revelados mais detalhes sobre esta operação que envolve verbas europeias e fundos comunitários.