Operação policial no Rio de Janeiro faz mais de 60 mortos, incluindo quatro polícias
Ao longo de terça-feira, houve intensos tiroteios entre a polícia e o grupo criminoso Comando Vermelho em várias partes da cidade. Em retaliação, o grupo bloqueou os acessos da cidade.
O Rio de Janeiro parou. A maior e mais letal operação policial da história da cidade brasileira aconteceu esta terça-feira. Foi montada uma megaoperação que começou pouco antes do amanhecer, nos complexos de favelas do Alemão e da Penha. Trata-se de uma zona controlada pela fação criminosa Comando Vermelho, que não deixou a ação das autoridades passar em branco.
Ao longo do dia, intensos tiroteios entre a polícia e o grupo criminoso avançaram para outras partes da cidade. Traficantes bloquearam avenidas e ruas com barricadas, em retaliação. Roubaram pelo menos 50 autocarros de transportes públicos para impedir a circulação nas vias. O grupo criminoso chegou a bloquear por alguns minutos, com um camião, a principal estrada de acesso ao aeroporto internacional do Rio de Janeiro.
A ação começou com 2500 agentes da Polícia Militar e da Polícia Civil, mas, ao longo das horas, teve um reforço de efetivos.
Enquanto a polícia tentava entrar nas dezenas de favelas, apoiadas por mais de 100 veículos blindados, os criminosos lançaram drones para disparar granadas contra os agentes e incendiaram dezenas de barricadas previamente montadas.
Dezenas de pessoas morreram, centenas ficaram feridas e há ainda muitos desaparecidos. Escolas, creches, postos de saúde e hospitais não puderam abrir, assim como o comércio.
As linhas de autocarro foram suspensas e os moradores não conseguiram sair de casa. Protegiam-se onde conseguiam das balas, que entravam pelas janelas ou atravessavam as paredes.
A operação pretendia prender os líderes da organização Comando Vermelho.
O último balanço dava conta de cerca de 80 detidos. Alegados membros da organização criminosa, à qual foram apreendidas 93 espingardas e enormes quantidades de droga.
O Comando Vermelho dedica-se principalmente ao tráfico de drogas e armas. O centro de operações situa-se no estado do Rio de Janeiro, onde controla comunidades da cidade.