Papa Leão XIV apela a uma Europa mais ativa na proteção dos migrantes

| 04 de Julho de 2026 às 16:20
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Papa Leão XIV apela a uma Europa mais ativa na proteção dos migrantes

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O papa denunciou que as mortes no Mediterrâneo são vítimas tanto de "decisões tomadas" como de "decisões omitidas". A visita ocorre 13 anos depois da de Papa Francisco e poucas semanas após a UE adotar novas medidas migratórias mais restritivas.

O papa Leão XIV visitou este sábado Lampedusa e lançou um desafio direto à Europa: "A Europa é capaz de enfrentar a crise de forma orgânica, integrando a ajuda inicial num plano estratégico de longo prazo, capaz de acolher, proteger, promover e integrar os migrantes", afirmou na sua homilia, perante cerca de quatro mil pessoas.

A visita ocorre num momento de particular tensão política: poucas semanas depois de a União Europeia ter adotado novas medidas migratórias, incluindo o aumento da utilização de centros de detenção e a criação de centros de acolhimento fora das suas fronteiras.

O pontífice não ignorou o contexto e foi incisivo: as milhares de mortes registadas no Mediterrâneo são vítimas tanto de "decisões tomadas" como de "decisões omitidas". Denunciou ainda "o desrespeito pelo bem comum, a corrupção nos países de origem, um sistema económico global que gera pobreza e exclusão, o medo que alimenta o preconceito" e os "cálculos criminosos daqueles que lucram com o sofrimento alheio".

Na homilia, Leão XIV traçou um paralelo entre a parábola do Bom Samaritano e a atual crise humanitária no Mediterrâneo — rota considerada a mais mortífera do mundo, onde cerca de 1330 pessoas morreram ou desapareceram só em 2025.

Antes da missa, depositou uma coroa de flores no cemitério com as sepulturas numeradas de migrantes não identificados e orou sozinho junto à Porta da Europa, virado para o mar.

O dia ficou ainda marcado por uma mensagem de Leão XIV dirigida aos Estados Unidos — seu país natal — por ocasião do 250.º aniversário da Declaração de Independência, na qual recordou que "defender a vida humana inclui também acolher, proteger e apoiar os imigrantes, cujas esperanças, sacrifícios e contributos fazem parte da história deste país desde o seu início".