PCP afirma que proposta de alteração à lei laboral "generaliza uma situação de instabilidade" e Chega defende maior compensação para trabalhadores por turnos

Joana Ramalho | 17 de Novembro de 2025 às 19:37
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Frente a Frente

Frente a Frente no NOW, João Ferreira acrescentou que as alterações propostas pelo Governo colocam em causa a "liberalização" dos despedimentos. Já Rui Paulo Sousa referiu que quem trabalha deve receber "mais" de acordo com o seu mérito e empenho, ao contrário daqueles que "não fazem nada".

João Ferreira (PCP) e Rui Paulo Sousa (Chega) estiveram esta segunda-feira Frente a Frente no NOW e falaram sobre a proposta de alteração à lei laboral do Governo, que levou a CGTP e a UGT a convocarem greve geral.

"Consideramos essencial que os trabalhadores que ou trabalham por turnos, que fazem horas extraordinárias ou que têm de se levantar às seis da manhã para começar a trabalhar para os serviços essenciais têm que ter maior benefício", começou por defender Rui Paulo Sousa.

Segundo o deputado, o Chega defende que estes trabalhadores merecem "maior compensação". E, caso não seja de forma "diretamente monetária", devem receber "alguma isenção ao nível de impostos".

Em resposta, João Ferreira afirmou que o PCP não se alinha com o Chega na matéria: "faltava agora que o trabalhador que trabalha mais para lá daquilo que é devido fosse pago não pelo patrão que beneficia desse trabalho mas pelo Estado", ironizou.

Neste sentido, o vereador de Lisboa afirmou que aquilo que está a ser proposto pelo partido de André Ventura é que o trabalho em excesso seja pago "não através das horas extraordinárias que a lei prevê" ou através de subsídios, mas sim com um desconto de impostos. "Significa que somos todos [nós] a pagar em lugar do empresário, isto são ideias à Chega (...) e completamente inaceitáveis", vincou.

Rui Paulo Sousa continuou por referir que quem trabalha deve receber "mais" de acordo com o seu mérito e empenho, ao contrário daqueles que "não fazem nada".

"Acho que qualquer pessoa que realmente se esforça e trabalha deve ser compensada", sustentou.

João Ferreira continuou por defender que as alterações propostas pelo Governo à lei laboral colocam em causa a "liberalização" dos despedimentos.

"Quando se generaliza o trabalho precário, contratos a prazo e de muita curta duração, estamos a generalizar uma situação de instabilidade na vida das pessoas", concluiu.