Pedro Nuno Santos
No total, foram publicados nove documentos no site oficial da sua campanha, incluindo escrituras, contratos de compra e venda, cadernetas prediais e notificações relativas ao pagamento do IMI.
O secretário-geral do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, divulgou esta quinta-feira a documentação relativa à aquisição de duas propriedades, atualmente sob averiguação preventiva por parte do Ministério Público. No total, foram publicados nove documentos no site oficial da sua campanha, incluindo escrituras, contratos de compra e venda, cadernetas prediais e notificações relativas ao pagamento do IMI.
“Quem não deve, não teme” — é esta a mensagem deixada pelo líder socialista, numa tentativa de esclarecer quaisquer dúvidas sobre a sua conduta.
Os documentos referem-se à compra de dois imóveis: um em Telheiras, Lisboa, e outro em Montemor-o-Novo. Relativamente à casa em Lisboa, é indicado que a aquisição foi paga com um cheque no valor de 647 mil euros emitido pela Caixa Geral de Depósitos, complementado por duas transferências bancárias, uma de 50 mil euros e outra de 42 mil euros.
Em resposta enviada à revista Sábado, a esposa de Pedro Nuno Santos esclareceu que os 50 mil euros provieram de uma conta conjunta do casal, na qual havia sido depositado o montante de 450 mil euros, correspondente a um crédito à habitação. Os restantes 197 mil euros foram também retirados dessa conta. Já as duas transferências adicionais terão sido feitas pelo próprio líder socialista.
O montante da dívida à banca foi liquidado em apenas dois meses, coincidindo com o período em que Pedro Nuno Santos transitou do cargo de secretário de Estado para ministro. No entanto, o líder socialista afirma que o valor resultou da venda de um outro imóvel, situado na Praça das Flores, em Lisboa.
Quanto à segunda propriedade, localizada em Montemor-o-Novo e avaliada em 570 mil euros, 508 mil euros foram pagos através da mesma conta conjunta do casal, sendo que mais de 455 mil euros dizem respeito a um novo crédito à habitação. A quantia restante foi assumida pela esposa de Pedro Nuno Santos: 57 mil euros pagos como entrada e mais 5 mil euros a serem entregues após a conclusão do licenciamento da piscina da habitação.
O líder do PS garantiu, esta quarta-feira, que o empréstimo associado a este segundo imóvel ainda não foi totalmente liquidado.
Apesar de o Ministério Público ter agora iniciado uma averiguação preliminar, o caso não é novo. A revista Sábado já havia noticiado a situação em 2023 e, em 2024, o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto arquivou uma denúncia anónima que relatava, essencialmente, os mesmos factos que agora motivaram a investigação.
Após análise da denúncia e recolha de informação complementar, o DIAP do Porto decidiu não instaurar qualquer inquérito, considerando que os factos descritos não indiciavam a prática de crime.