Economia
Registou-se um abrandamento no investimento e no consumo interno. Ainda assim, esta tendência não se deverá manter em 2026.
Depois de as famílias terem puxado pelo crescimento económico à boleia de aumentos pontuais de rendimento no terceiro trimestre, a estratégia deixou de dar frutos no final do ano. Sem o efeito das medidas do Governo de apoio ao consumo e perante uma diminuição do investimento, foram as exportações — e não as famílias — a puxar pelo crescimento do PIB em 2025.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou, no final da semana passada, que a economia portuguesa cresceu 1,9% no conjunto de 2025, depois de no quarto trimestre ter crescido 0,8%.
Embora ainda não dê detalhes sobre as diferentes componentes do PIB, o INE explica que este crescimento no último trimestre do ano foi conseguido apenas pela componente externa. No quarto trimestre, diz o INE, "o contributo da procura interna passou mesmo a ser negativo", com o consumo privado a abrandar e o investimento a recuar de forma "significativa".
Por outro lado, o contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB passou a positivo, à boleia de uma "redução acentuada das importações de bens e serviços, devido em grande medida às transações de produtos petrolíferos".
Isto significa que, após os apoios do Governo, o motor de crescimento da economia mudou no final do ano, assentando no exterior.
No entanto, a expectativa para 2026 é que a vertente interna continue a puxar pela economia, sem que a tendência do final de 2025 se alargue ao conjunto deste ano.