Portugal está agora na rota dos "Fantasmas de Cajuru"
A entrada desta organização em território nacional ficou marcada pela execução do líder do gangue.
Rafael Lourenço, tinha 35 anos . Era conhecido no mundo do crime como “Rafinha” e era já um “velho conhecido” da polícia. Tinha sido preso aos 24 anos e agora estava em fuga para não cumprir nova pena. As autoridades julgavam-no escondido no Nordeste. Afinal, estava em Portugal.
Era considerado o número um dos “Fantasmas do Cájuru”, um gangue formado há mais de 20 anos em Curitiba, capital do estado do Paraná, no Brasil.
Durante vários anos, o grupo terá sido liderado, em dupla, por Rafael Lourenço e Bruno Felisbino. Rafael Lourenço era agora o cabecilha, depois de o cúmplice ter sido executado a tiro num parque de estacionamento de um centro comercial no estado da Paraíba.
O gangue começou com assaltos a bancos, mas depressa se dedicou ao tráfico internacional de cocaína.
Só nos últimos cinco anos, terá faturado mais de 40 milhões de euros.
Os “Fantasmas” são também suspeitos de vários homicídios violentos. O grupo é suspeito de ter assassinado um polícia militar, com mais de 40 tiros, em janeiro deste ano.
A “Operação Fantasma” da Polícia Civil de Curitiba relacionou os membros do grupo com um complexo esquema de lavagem de dinheiro, através da constituição de empresas.
A investigação identificou que vários membros dos “Fantasmas do Caruju” tinham vidas de luxo, que incluiam a aquisição de moradias e de automóveis de topo.
Procurado pela justiça brasileira, Rafael Lourenço fugiu em abril para Portugal. Fez escala no Paraguai e em Espanha antes de entrar em território nacional por via terrestre.
Acredita-se que a fuga para Portugal tenha sido uma forma de “Rafinha”, como era conhecido, fugir da pena de prisão a que foi condenado, em 2021. A sentença por associação criminosa, tráfico de droga, branqueamento de capitais e posse ilegal de arma tinha transitado em julgado em 2023. Instalou-se discretamente em Odivelas.
No domingo passado, por volta das cinco da madrugada, foi surpreendido na Avenida do Repatriamento dos Poveiros, na Póvoa de Varzim. Levou o primeiro tiro ali mesmo.
Correu cerca de 200 metros até à sua viatura, mas continuou a ser perseguido e baleado. Foi atingido sete vezes. O disparo fatal foi na cabeça, já na Avenida Vasco da Gama.
No automóvel, a PJ encontrou um GPS escondido. Suspeita-se que tenha sido colocado pelos executores para seguir todos os passos da vítima.
Desconhece-se, para já, a razão de Rafael Lourenço estar na Póvoa de Varzim, mas o líder dos “Fantasmas de Curitiba” sabia que era um alvo a abater por rivais.
A investigação aponta para dois atiradores, que terão feito pelo menos 13 disparos antes de fugirem a alta velocidade.
A Polícia Judiciária não descarta que a execução tenha sido ordenada pelo Primeiro Comando da Capital, a maior e mais perigosa organização criminosa da América Latina, com quem os “Fantasmas” teriam ligações.
As autoridades acreditam que o grupo tem usado Portugal como porta de entrada de cocaína para o mercado europeu.