José Pedro Aguiar Branco
Recorde-se que momentos depois da acusação Miguel Arruda pediu a palavra para dar a sua versão dos factos e negou ter feito a saudação nazi.
O Presidente da Assembleia da República revelou esta segunda-feira que ainda não recebeu nenhum requerimento para analisar as imagens do gesto polémico de Miguel Arruda — feito no Parlamento — que está a ser interpretado como uma saudação nazi. José Pedro Aguiar Branco relembrou que é importante os deputados respeitarem a Assembleia da República.
"Nós não podemos esquecer que não fui eu que escolhi ou elegi os 229 deputados do Parlamento, eles foram eleitos pelo povo português, nomeadamente também este deputado não inscrito. Tanto quando sei, porque não estava na sessão, o deputado não inscrito já disse que não tinha intenção de fazer qualquer gesto que tivesse essa leitura, por isso devo dizer que nós não somos polícias dos outros deputados", começou por afirmar.
"Tenho pedido a todos para que atuem de forma a prestigiar a Assembleia da República e nós temos um código de ética que nos obriga a esse prestigio", acrescentou ainda José Pedro Aguiar Branco.
Recorde-se que a situação a que o Presidente da Assembleia da República se refere aconteceu no passado dia 7 de fevereiro.
O porta-voz do Livre acusou Miguel Arruda de fazer a saudação nazi duas vezes no plenário, quando este sinalizava o seu sentido de voto. Rui Tavares pediu à mesa da Assembleia da República que sejam tomadas as devidas medidas, uma vez que no seu entender "o gesto da saudação fascista, nazi ou romana” foi feito “de forma consciente e deliberada”.
Momentos depois da acusação, Miguel Arruda pediu a palavra para dar a sua versão dos factos e negou ter feito a saudação nazi.
“Estava só a sinalizar o meu sentido de voto desse modo. Há vários líderes a fazerem o mesmo, até de esquerda”, garantiu.
Mais tarde, o antigo deputado do Chega mencionou também que devido ao facto de estar sentado na última fila no plenário, o Presidente da Assembleia da República nem sempre consegue identificar o seu sentido de voto. Foi esse o motivo que o levou a esticar o braço, segundo argumentou Miguel Arruda.