Primo de José Sócrates iria herdar 80% da fortuna que Carlos Santos Silva tinha numa offshore

Cláudio Constantino | 07 de Julho de 2025 às 12:00
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Carlos Santos Silva

A mulher e a filha do amigo de Sócrates herdavam os restantes 20%.


As quatro offshores que Santos Silva tinha na Suíça, no final de 2006, valiam mais de 22 milhões de euros.

Segundo o Ministério Público, este património financeiro pertence a Sócrates.

O primo do ex primeiro-ministro, José Paulo Bernardo Pinto de Sousa é também arguido na Operação Marquês.

Segundo o Ministério Público, José Paulo foi o primeiro testa de ferro e guardião do alegado dinheiro de Sócrates, entre 2005 e o final de 2007.

A partir desse ano, devido às suspeitas sobre o eventual envolvimento de Sócrates e do primo no processo Freeport, Santos Silva passou a ser o novo testa de ferro e guardião dos alegados fundos de Sócrates.

Santos Silva era, a título formal, o beneficiário final da Belino, mas as decisões sobre a gestão e movimentação do dinheiro eram tomadas com o acordo de Sócrates e a colaboração do primo.

José Paulo tinha uma procuração que o autorizava a aceder ao cofre que a Belino tinha na UBS, em Genebra, na Suíça.

Para manter o património da Belino confidencial, a correspondência dessa conta deveria ser dirigida à AMN Consultants, em Genebra, que fazia a gestão externa da conta.

Belino, Giffard, Pinehill e Brickhurst são as quatro offshores de santos silva que abriram contas na Suíça, entre o final de 2006 e o início de 2008.

Segundo o Ministério Público, as contas destas offshores apenas foram creditadas com verbas oriundas das contas do primo de Sócrates, relativas a alegadas luvas pagas pelo grupo Espírito Santo ao ex primeiro-ministro, e de Joaquim Barroca, ex administrador do grupo Lena.

Para “apagar o passado” da ligação de Sócrates ao primo, em fevereiro de 2008, foi decidido transferir os fundos da Belino e da Giffard para contas da Pinehill e da Brickhurst.

Foi destas contas que, no final de 2010, Santos Silva repatriou, através do regime excecional de regularização tributária ii, 23 milhões de euros da Suíça para Portugal, que o Ministério Público e o tribunal da relação de Lisboa dizem pertencer ao antigo primeiro-ministro.