Amadeu Guerra
Numa entrevista à rádio Observador, Amadeu Guerra garante independência e autonomia, apesar de reconhecer ter admiração pelo primeiro-ministro.
Não é amigo pessoal, mas reconhece valores ao primeiro-ministro que o escolheu para liderar o organismo mais alto do Ministério Público.
Conhecem-se desde o tempo que os dois foram membros da comissão de acesso aos documentos administrativos, onde Montenegro era o responsável por elaborar pareceres, mas avisa que nada disso atenta contra a sua independência, razão pela qual abriu uma averiguação preventiva ao caso Spinumviva que envolve o primeiro-ministro.
Amadeu Guerra admite que há ainda muita documentação para analisar, mas espera que até dia 15 de julho possa sair uma decisão sobre o caso Spinumviva. O Procurador-Geral da República lembra que se existirem motivos irá abrir um inquérito.
Numa longa entrevista ao programa justiça cega da rádio Observador, o Procurador-Geral da República revela que não fixou o prazo para a conclusão do inquérito que envolve António Costa, caso que levou à queda do governo.
Já sobre a Operação Marquês, processo que se arrasta desde 2013, Amadeu Guerra considera que José Sócrates deve ter uma oportunidade para provar a sua inocência.
Amadeu Guerra deixou ainda uma novidade: a política de comunicação da Procuradoria-Geral da República vai mudar, o que significa que os resultados da análise de denúncias anónimas, a abertura de averiguações preventivas ou inquéritos criminais vão deixar de ser comunicados. Serve para evitar o perigo de manipulação política ou especulação jornalística de temas ainda pouco claros, ou em fase inicial de investigação.