O comandante nacional da ANEPC advertiu que as condições meteorológicas adversas poderão ter um impacto significativo na região da Grande Lisboa e na Península de Setúbal, podendo ocorrer inundações em meio urbano, nomeadamente em garagens e zonas subterrâneas.
O comandante nacional da Proteção Civil alertou esta quinta-feira para o agravamento do estado do tempo nas próximas horas, com previsão de chuva forte e persistente, avisando para o risco de cheias rápidas e deslizamentos de terras.
O alerta do comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Mário Silvestre, foi dado pelas 19 horas, numa conferência de imprensa na sede da ANEPC, em Carnaxide, Oeiras (Lisboa), para fazer um ponto de situação das cheias no país, a que assistiram o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e os presidentes das câmaras de Lisboa, Carlos Moedas, e de Oeiras, Isaltino Morais.
“Hoje acompanha-nos o senhor primeiro-ministro e o senhor presidente da Câmara de Oeiras e isto revela também a preocupação que todos temos relativamente ao episódio de precipitação previsto para a noite de hoje, com precipitação por vezes forte e o fenómeno meteorológico irá prolongar-se até ao dia 13 [sexta-feira]”, afirmou Mário Silvestre.
O comandante nacional da ANEPC advertiu que as condições meteorológicas adversas poderão ter um impacto significativo na região da Grande Lisboa e na Península de Setúbal, podendo ocorrer inundações em meio urbano, nomeadamente em garagens e zonas subterrâneas.
“Impera aqui a questão da segurança e da precaução no que diz respeito ao comportamento cívico das pessoas, nomeadamente à salvaguarda dos seus bens e evitarem, nomeadamente, o estacionamento em zonas potencialmente alagadas e também zonas onde as árvores poderão ser, no fundo, um risco para as populações”, aconselhou.
Mário Silvestre salientou também que, além da intensidade da precipitação, a persistência da chuva e a saturação dos solos aumentam o risco de derrocadas e colapso de muros e taludes, podendo causar isolamento de localidades.
Por outro lado, o comandante nacional referiu que o plano especial da Bacia do Tejo mantém-se no nível vermelho, o mais elevado, havendo também risco de cheia nas zonas ribeirinhas do rio.
“No Tejo, mantém-se também caudais bastante elevados, a maior parte deles provenientes das barragens de Espanha, nomeadamente Cedilho, que estava há pouco tempo na casa dos cinco mil metros cúbicos por segundo”, apontou.
Segundo a Proteção Civil, estão ativados 12 planos distritais e 124 planos municipais de emergência, bem como 15 declarações de situação de alerta emitidas por municípios.
No que diz respeito às ocorrências, Mário Silvestre referiu que foram registadas 16.623 desde o dia 1 de fevereiro, que mobilizaram 56.703 operacionais e 23.124 meios.
As situações mais frequentes continuam a ser quedas de árvores e inundações, havendo também registo de movimentos de massa que têm provocado danos em infraestruturas e constrangimentos na rede rodoviária e ferroviária.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.