Deputado socialista Luís Testa disse esperar que o PSD "aprenda a lição" sobre as consequências de negociar com o Chega.
PSD e Chega trocaram acusações sobre quem foi responsável por esta sexta-feira chumbarem no Parlamento todas as iniciativas para a introdução no Código Penal de uma pena acessória de perda da nacionalidade em casos de crimes graves.
O Grupo Parlamentar social-democrata e as bancadas da esquerda parlamentar votaram contra o requerimento do Chega para a confirmação do decreto que instituía a perda da nacionalidade - um diploma que fora considerado inconstitucional, por unanimidade, pelo Tribunal Constitucional.
Por sua vez, o Chega e a esquerda parlamentar reprovaram um conjunto de alterações propostas pelo PSD e CDS a esse decreto sobre perda da nacionalidade, no qual se limitava, basicamente, o leque de crimes a casos de terrorismo ou de atentados contra o Estado, tentando desta forma corresponder à via de conformidade com a Lei Fundamental sugerida pelo Tribunal Constitucional.
Perante este desacordo entre os principais partidos da direita parlamentar, o deputado socialista Luís Testa disse esperar que o PSD "aprenda a lição" sobre as consequências de negociar com o Chega.
E deixou uma pergunta: "Perante o que aconteceu hoje, que parceiros é que o PSD escolhe para a revisão constitucional?"
Antes, o vice-presidente da bancada do PSD Alexandre Poço fez uma intervenção contra a atuação do Chega.
"Hoje, todo o país ficará a saber que quem adquirir a nacionalidade e posteriormente cometer um crime de terrorismo não poderá perder a nacionalidade. E por responsabilidade de quem? Do Chega, um partido que pretende aproveitar-se do caos", apontou.
Citou, depois, uma afirmação do presidente do Chega, André Ventura, segundo a qual "quem tenta agradar à esquerda fica com a esquerda".
"Hoje, ficámos a saber que esta perda da nacionalidade não será possível porque o próprio deputado André Ventura votou ao lado da esquerda", assinalou Alexandre Poço.
Na resposta, a deputada do Chega Vanessa Barata contrapôs que o PSD traiu o acordo antes celebrado com o seu partido.
"Os portugueses merecem saber a verdade. E a verdade é que hoje o PSD queria voltar atrás nas suas intenções, quis alterar o decreto, torná-lo mais brando, mais frouxo, mais fofinho e mais ao gosto da esquerda. Faltou-vos coragem", considerou.
Depois, deixou um aviso: "Com o Chega, não contarão para fazer leis fofinhas, porque, para isso, têm o PS. Os portugueses irão lembrar-se de quem os traiu e também irão lembrar-se de quem nunca os abandonou".
Já o deputado João Almeida, do CDS, que votou a favor da iniciativa do Chega, ao contrário do PSD, lamentou que nenhuma iniciativa legislativa tivesse hoje sido aprovada para consagrar a pena acessória de perda da nacionalidade na sequência de um desacordo entre sociais-democratas e o partido de André Ventura.
"Não me interessa nada estar num jogo de culpas. Não me interessa absolutamente nada estar a dizer aos portugueses que esta lei não existe por culpa deste ou por culpa daquele. É por culpa de todos nós - e é grave", concluiu João Almeida.
Pelo Livre, o deputado Paulo Muacho deixou um recado ao PSD, tal como faria momentos depois a bancada do PS.
"Quando o PSD tenta fazer estes arranjinhos com o Chega e quando tenta ir atrás da agenda do Chega acaba sozinho e com as suas iniciativas chumbadas", declarou.