Recorde o caso de Odair Moniz
Durante os tumultos, a família da vítima afirmou que a PSP invadiu a casa onde se encontravam com amigos a fazer o luto de Odair Moniz.
Foi na madrugada do dia 21 de outubro de 2024 que o incidente que despoletou uma onde de violência pela Grande Lisboa aconteceu. Já passava das cinco horas da manhã quando dois agentes da Polícia de Segurança Pública se depararam com um cidadão suspeito dentro de uma viatura que, alegaram, ser roubada.
"Minutos antes, na Avenida da República, na Amadora, o suspeito, ao visualizar uma viatura policial, encetou fuga para o interior da Cova da Moura, também na Amadora", alegam.
Os moradores do bairro da Cova da Moura relatam que por volta das 05h30 acordaram com um barulho. Seria Odair Moniz a abalroar carros estacionados na rua.
Há quem diga que Odair saiu da viatura de braços no ar e outros falam numa arma branca, uma faca, na mão do cabo-verdiano de 43 anos, que terá usado para atacar a polícia.
Terão sido disparados três tiros por um dos agentes, um para o ar e dois na direção do suspeito, que o terão atingido.
O INEM diz ter recebido a primeira chamada relativamente a este incidente às 05h35 de 21 de outubro.
O relatório da PSP diz que Odair Moniz só foi intercetado às 05h43 desse mesmo dia.
Já pelas 5h51 a viatura de emergência médica enviada chega ao local. São realizadas manobras de suporte avançado de vida e Odair Moniz é transportado para o hospital São Francisco Xavier sempre em manobras de reanimação. A hora oficial do óbito foi às 06h20.
Nessa mesma noite os cidadãos do bairro insurgem-se contra o sucedido e os tumultos começaram.
Carros e caixotes do lixo incendiados e destruição por toda a parte. Foi a primeira noite de uma semana marcada pela violência em Lisboa.
Dois dias depois da morte de Odair, no dia 23 de outubro, os agentes envolvidos no incidente admitem que o cabo-verdiano não tinha consigo uma arma branca.
Nessa noite, durante os tumultos, a família da vítima afirmou que a PSP invadiu a casa onde se encontravam com amigos a fazer o luto de Odair Moniz. Há quem fale em agressões por parte dos agentes mas a polícia negou os acontecimentos.
A 24 de outubro o incidente mais grave destes tumultos acontece. Foi por volta das 02h00 que um grupo de manifestantes violentos decidiu incendiar um autocarro da Carris, com o motorista ainda no interior da viatura.
Tiago Cacais sofreu queimaduras graves na face, tórax e membros superiores. Ficou em estado grave e quase um mês internado na unidade de queimados do Hospital de Santa-Maria.
Odair Moniz é enterrado no dia seguinte, a 27 de outubro.
O incidente que causou a morte do cabo-verdiano causou uma onda de violência, tendo a PSP registado mais de 120 ocorrências e deteve 21 cidadãos.
Sete pessoas ficaram feridas, duas foram polícias apedrejados e os outros cinco eram cidadãos que foram esfaqueados ou queimados.
O agente que disparou contra Odair Moniz foi acusado de homicídio pelo Ministério Público esta quarta-feira.