Regresso de Pedro Nuno Santos deixa a Assembleia da República sem pessoas com deficiência nas bancadas parlamentares
Lia Ferreira abandona agora a bancada do PS e as pessoas com deficiência deixaram de sentir representadas.
Após seis meses de ausência, Pedro Nuno Santos retomou esta quarta-feira o mandato. A 9 de outubro o ex-secretário-geral do PS pediu a suspensão do mandato por 180 dias por motivos de natureza pessoal e profissional.
Durante o período em que esteve ausente foi substituído por Lia Ferreira.
Com o regresso de Pedro Nuno Santos à Assembleia da República, Lia Ferreira teve agora de abandonar a bancada do PS.
A arquiteta e investigadora assumiu ao Correio da Manhã que tem recebido muitas mensagens de pessoas com deficiência a afirmar que deixaram de se sentir representadas.
"Somos mais de um milhão e meio de pessoas. Já chega de só aparecermos circunstancialmente. Deem-nos voz, chamem-nos. Só assim vamos transformar a sociedade”, apelou.
Lia Ferreira frisou que nos últimos 180 dias foi dando nota que seria importante que os diferentes grupos parlamentares tivessem pessoas com deficiência.
"Nem equacionam que exista um deputado com deficiência a falar sobre estas matérias e há um universo de diferença entre ser sensível e viver a realidade diretamente”, acrescentou.
Num debate na Assembleia da República, Pedro Nuno Santos já tinha afirmado que candidatos autárquicos não deveriam ser candidatos a deputados. Isso retirou das listas dirigentes como Ana Sofia Antunes, candidata à presidência da Câmara de Oeiras.
O regresso de Pedro Nuno Santos ao lugar de deputado deixou agora a Assembleia da República sem pessoas com deficiência nas bancadas parlamentares.