Relação de Coimbra vai julgar magistrada do Ministério Público
Em causa está a sua intervenção em oito processos da comarca de Leiria.
A procuradora em causa foi responsável pela acusação do processo dos incêndios de 2017, em Pedrógão Grande, que mataram mais de 60 pessoas. A magistrada, que está suspensa de funções, é agora acusada de atrasos em proferir despachos, retenção indevida de autos e utilização de expedientes para contornar mecanismos de escrutínio interno e hierárquico.
Segundo a decisão instrutória, consultada pela agência Lusa, a arguida terá recorrido a simulações de atos processuais e manipulação estatística para criar a aparência de processos concluídos, quando permaneciam pendentes.
A magistrada do Ministério Público, que já foi diretora dos departamentos de Investigação e Ação Penal de Leiria e Coimbra, vai agora responder no Tribunal da Relação pela prática de um crime de prevaricação.
Em causa está a sua intervenção em oito processos, todos da comarca de Leiria. Um deles investigava alegados crimes de recebimento de vantagem indevida e de corrupção, sendo dois dos arguidos militares da GNR.
Neste inquérito desapareceram quatro volumes. No despacho de pronúncia, citado pela Lusa, a juíza atribui à procuradora a responsabilidade desse desaparecimento, assim como de ter montado uma engenharia informática para ocultar o atraso na elaboração do despacho final, dando a aparência de encerramento do inquérito.