Ricardo Fernandes
Em entrevista exclusiva à SÁBADO, o homem, que sempre procurou ser resiliente, abriu o coração e contou a sua história.
Ricardo Fernandes, de 43 anos, vive com uma certeza angustiante: o seu destino já está traçado. Depois de um trágico acidente de carro que o deixou tetraplégico há 15 anos, o empresário português decidiu que a única forma de terminar a sua vida é por meio do suicídio assistido, num processo que irá ocorrer na Associação Suíça Dignitas. Em entrevista exclusiva à SÁBADO, o homem, que sempre foi resiliente, abriu o coração e contou a sua história.
O acidente, ocorrido em 2009, mudou completamente a sua vida. Durante 14 horas, Ricardo permaneceu desaparecido até ser finalmente encontrado. O diagnóstico foi devastador: tetraplegia, e com isso, uma vida marcada por limitações físicas profundas. Contudo, foi com determinação que ele seguiu em frente. Fundou uma empresa dois anos depois do acidente e, apesar de todas as dificuldades, viu os seus filhos crescerem. No entanto, a dor de viver sem a liberdade que sempre conheceu levou-o a tomar a difícil decisão de pôr fim à sua existência.
"Falta-me a liberdade", revela Ricardo, referindo-se ao que considera ser a maior limitação imposta pela sua condição. Embora tenha feito o possível para manter a sua vida ativa, como o facto de ir sozinho para o trabalho com a sua cadeira elétrica, a verdade é que a falta de autonomia e o sofrimento físico tornaram-se insuportáveis. "Sinto falta de coisas simples, como os abraços dos meus filhos", desabafa com uma expressão de dor visível, mas sem arrependimento.
Ricardo está atualmente inscrito na Dignitas, uma organização onde é possível fazer um suicídio assistido na Suíça, e já tem uma data marcada para a sua morte. E conta que a decisão não foi tomada em desespero, tem a ver com a sua essência.