José Sócrates e Ricardo Salgado julgados
O dinheiro seria a contrapartida para a influência de Sócrates de forma a travar uma Oferta Pública de Aquisição da Sonae à antiga Portugal Telecom, o que trouxe dividendos extras para o grupo BES.
As transferências começaram a ser feitas em 2006 e 2007. De acordo com os registos bancários, nove milhões de euros foram transferidos para uma conta na Suíça em nome de José Paulo Pinto de Sousa, primo de José Sócrates, uma das personagens principais do caso Freeport.
O antigo primeiro-ministro tinha acumulados 34 milhões de euros na conta bancária titulada pelo amigo Carlos Santos Silva, sendo que 29 milhões vieram do grupo Banco Espírito Santo (BES), liderado por Ricardo Salgado.
A investigação à Operação Marquês sustenta que, além das primeiras transferências, o grupo BES passou para a esfera do antigo primeiro-ministro mais de 20 milhões de euros, através de contas controladas pelo empresário Carlos Santos Silva, que é, aliás, outro dos arguidos do processo.
O dinheiro seria a contrapartida para a influência de Sócrates de forma a travar uma Oferta Pública de Aquisição da Sonae à antiga Portugal Telecom, o que trouxe dividendos extras para o grupo BES.
Um dos trunfos da acusação é Hélder Bataglia, amigo e empresário que revelou que Sócrates pediu para transferir seis milhões de euros para a conta de Carlos Santos Silva. Disse não saber o motivo da transferência, mas confirmou que a fez.
Recorde-se que José Sócrates e Ricardo Salgado começam a ser julgados no Campus de Justiça, em Lisboa.
Em causa estão crimes de corrupção passiva e ativa.
O antigo banqueiro foi dispensado de assistir ao julgamento.
Sócrates está acusado de 22 crimes, entre os quais estão os de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
O antigo banqueiro já foi condenado num processo que nasceu da Operação Marquês, com uma pena de oito anos, mas o caso está agora em recurso.