NOW
A ferramenta de inteligência artificial Amália, com um investimento de mais de 6,5 milhões de euros, está a causar atrasos na correção dos exames, gerando ansiedade em alunos e professores. Ninguém foi responsabilizado.
O debate no Frente a Frente desta sexta-feira, entre Rita Matias, do Chega, e Eva Cruzeiro, do PS, foi unânime numa coisa: a digitalização dos exames nacionais está a correr mal.
A ferramenta de inteligência artificial Amália — com um investimento inicial de cinco milhões de euros e um reforço de mais de um milhão e meio — foi classificada por Rita Matias como "absolutamente vergonhosa", sublinhando que existem no mercado ferramentas gratuitas "que dão dez a zero".
Os problemas acumulam-se: professores que perdem acesso aos portais, utilizadores que entram com a chave móvel digital e acedem ao perfil de outra pessoa, e docentes que começam com 200 provas para corrigir e acabam com 400.
A situação está a criar ansiedade nos alunos, que ainda não sabem se vão à segunda fase nem se as datas se mantêm — o que pode obrigá-los a adiar candidaturas ao ensino superior.
Rita Matias lembrou que o piloto do ano passado, aplicado a apenas 20 mil exames de filosofia, já tinha revelado falhas graves. Ainda assim, o modelo foi replicado para 300 mil exames sem alterações profundas.
A deputada do PS, Eva Cruzeiro questionou ainda quem vai pagar os 500 mil euros adicionais anunciados para corrigir os problemas — e criticou o ministro por não ter pedido sequer desculpa. "O ministro aponta para toda a gente e não se responsabiliza", concluiu.