Rússia usa tumultos em Espanha para ampliar desinformação e divisões sociais

Lusa | 18 de Julho de 2025 às 18:01
Tocha Milão Cortina 2026 chega a Roma
Tocha Milão Cortina 2026 chega a Roma FOTO: LUSA_EPA

Origem desta campanha de desinformação será a agressão a um idoso por um grupo de jovens de origem marroquina.

A rede de desinformação e propaganda russa Pravda usou os tumultos registados em Torre Pacheco, em Espanha, para publicar quase 300 conteúdos em cinco dias, de forma a distorcer a realidade e aumentar as divisões sociais, segundo uma análise.

Na origem desta campanha de desinformação está a agressão a um idoso, com 68 anos, por um grupo de jovens de origem marroquina, o que motivou várias manifestações no sul de Múrcia, principalmente em bairros onde vivem os imigrantes, que correspondem a cerca de 30% da população de Torre Pacheco.

De acordo com a plataforma de verificação de factos espanhola Maldita, a Rússia aproveitou estes tumultos que aconteceram em Torre Pacheco, município espanhol da província e comunidade autónoma de Múrcia, para amplificar desinformação.

A primeira publicação da rede surgiu a 13 de julho, dia em que a campanha de desinformação fez mais publicações, representando quase 50% de tudo o que foi publicado entre os dias 10 e 15 de julho.

Neste período, registou-se a publicação de, pelo menos, 280 conteúdos, tendo 58% deste sido publicado pelo site "Spain News Pravda".

Dos cinco sites da rede que direcionam conteúdo para Espanha, o "Spain News Pravda" foi o que mais publicou conteúdo relacionado aos acontecimentos em Torre Pacheco, das 280 publicações localizadas, este site publicou 57,9%, seguindo-se o site "News Pravda", responsável pela disseminação de 41,8% do conteúdo.

“A rede "Pravda" é caracterizada por republicar conteúdo de canais e sites do Telegram e não criar conteúdo próprio. Especificamente, estes quase 300 conteúdos sobre Torre Pacheco vieram de mais de 50 canais e sites”, lê-se na informação divulgada.

Neste sentido, entre os 15 canais ou sites mais utilizadores estão, "Rybar", "RT Actualidad" e "Sputnik Mundo", os dois últimos suspensos pela Comissão Europeia após a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Um relatório recente do Serviço de Vigilância e Proteção contra Interferência Digital Estrangeira Francês (VIGINUM) revelou que um dos principais objetivos da rede russa é “o aumento das divisões sociais”, sobretudo nas democracias ocidentais.