Informação Privilegiada
No NOW, o antigo ministro socialista disse ainda que, além desta demissão, também a saída de Ana Paula Martins do Executivo faria "todo o sentido".
O ex-ministro do Ambiente e da Ação Climática Duarte Cordeiro esteve no programa Informação Privilegiada, no NOW, na noite desta terça-feira e reagiu à saída da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, do governo de Luís Montenegro, considerando que era algo "inevitável".
"Acho que já é uma consequência dos resultados eleitorais das eleições presidenciais. Revela também que o primeiro-ministro está a tomar iniciativa", começou por dizer o antigo ministro.
Segundo Duarte Cordeiro, apesar de a antiga Provedora de Justiça sair por iniciativa própria, "provavelmente está em curso uma remodelação mais profunda" do Executivo, do qual Maria Lúcia Amaral não quis "fazer parte".
"Faz todo o sentido, politicamente, para o governo e faz sentido que seja a ministra da Administração Interna [a sair], que realmente estava bastante desgastada e percebeu que não tinha confiança. Mas também faz sentido para outros membros do governo, desde logo para a ministra da Saúde que também está bastante desgastada", acrescenta.
Recorde-se que esta terça-feira Marcelo Rebelo de Sousa anunciou, em comunicado, que "aceitou o pedido de demissão" de Maria Lúcia Amaral, que "entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo e que lhe foi proposta pelo primeiro-ministro".
Maria Lúcia Amaral abandona o cargo depois de várias críticas à resposta à tragédia provocada pela tempestade Kristin, que atingiu Portugal continental a 28 de janeiro. A governante foi criticada primeiro pelo atraso na resposta, depois por ter dito que trabalhou na "invisibilidade" e por ter reconhecido em público não ter percebido o que tinha falhado no terreno quando admitiu que "o sistema é complexo". Anteriormente, a ministra tinha estado debaixo de fogo, devido à resposta aos incêndios durante o verão.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, foi dos primeiros a reagir à notícia, defendendo que a decisão da antiga Provedora de Justiça é "a prova de que o Governo falhou na resposta nesta emergência".