“Se houver uma solução negociada no Irão será maioritariamente pelos países do Golfo”, diz Bruno Gonçalves
Segundo o eurodeputado, “o Irão sabe que tem um forte pendor de parceria no Golfo Pérsico” e que mantém uma relação preferencial e utilitária com a China e “depois percebe que tem no seu inimigo comum, mais do que até os Estados Unidos, o Estado de Israel”.
O eurodeputado do PS Bruno Gonçalves foi o convidado do programa Guerra e Paz desta segunda-feira que conta com Germano Almeida e falou sobre o conflito no Médio Oriente.
Bruno Gonçalves começou por defender que “se houver uma solução negociada, ela será maioritariamente negociada pelos países do Golfo, porque [...] a estratégia de dissuasão do Irão será exatamente a mesma na estratégia de negociação”.
Segundo o eurodeputado, “o Irão sabe que tem um forte pendor de parceria no Golfo Pérsico” e que mantém uma relação preferencial e utilitária com a China e “depois percebe que tem no seu inimigo comum, mais do que até os Estados Unidos, o Estado de Israel”.
“É por isso que a guerra é tão mais popular em Israel do que é nos Estados Unidos. Nos EUA, é [...] uma guerra mais popular quantos mais corpos de militares falecidos chegarem", acrescentou.
O socialista realçou que a União Europeia “pode estabelecer um papel intermediário”, mas defendeu que é preciso “olhar para o mundo com alguma realidade e algum realismo”.
“O Sul global, nomeadamente países como aqueles que se encontram totalmente alinhados com a política externa dos Estados Unidos, olham para a Europa como um continente subserviente dos interesses americanos e, portanto, muito dificilmente encontraremos na Europa interlocutores que sejam vistos como [...] do interesse da República do Irão”, explicou.
Bruno Gonçalves lembrou que o regime iraniano continua igual, apesar de os Estados Unidos “darem a entender que o regime já tinha mudado, porque tinha mudado o líder do regime”.
“Isto demonstra mais uma vez que o grande interesse dos Estados Unidos não tem que ver com o interesse da oposição democrática, não tem que ver com o grande interesse do povo, tem que ver com o interesse muito circunstancial”, concluiu.